Peça da Baixada se destaca nas principais premiações do teatro carioca
O ator, diretor e dramaturgo Rohan Baruck, de São João de Meriti, é um dos grandes destaques da atual temporada de premiações do teatro do Rio de Janeiro. À frente do espetáculo “Maldita”, o jovem artista acumula indicações em importantes prêmios do circuito, consolidando o trabalho como um dos mais reconhecidos do ano.
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Produzido pela Escola Popular de Teatro da Baixada, iniciativa do Instituto Cultural Cerne, o espetáculo recebeu quatro indicações ao Prêmio APTR de Teatro e duas ao Prêmio do Humor, idealizado por Fábio Porchat. As nomeações colocam a Baixada Fluminense no centro do debate artístico contemporâneo.
Criado a partir da Oficina de Montagem Teatral da escola, “Maldita” reúne 21 artistas periféricos em cena e mobilizou um processo formativo ampliado, envolvendo mais de 50 alunos e artistas nas áreas de cenário, figurino, caracterização, iluminação e direção musical.
Para Rohan Baruck, o reconhecimento ultrapassa a dimensão individual.
— Essas indicações não são só sobre um espetáculo, mas sobre um modelo de formação artística que acredita no território e nas pessoas que fazem a cultura acontecer todos os dias na Baixada — afirma.
o diretor Rohan Baruck
Sthepany Lopez/Dvivulgação
No Prêmio APTR, Baruck foi indicado nas categorias Dramaturgia, Direção, Direção de Movimento (ao lado de Madson Vilela) e Música, junto a Camilla Monteiro, Léo Coutinho, Rafa Domi, Rayane Zaguini e Vinicius S. Um reconhecimento raro para um artista da Baixada Fluminense em frentes centrais da criação teatral.
Já no Prêmio do Humor, “Maldita” concorre nas categorias Direção, para Baruck, e Prêmio Especial, concedido ao elenco, pela atuação coletiva.
— O espetáculo nasce da ideia de que formação, criação e circulação profissional precisam caminhar juntas. Ver isso ser reconhecido no circuito principal do teatro carioca é um sinal de que estamos no caminho certo — destaca o diretor.
Além das indicações de “Maldita”, o Instituto Cultural Cerne também concorre ao Prêmio Shell, na categoria Energia que Vem da Gente, pela criação da Escola Popular de Teatro da Baixada e pela atuação contínua em São João de Meriti.
A dramaturgia do espetáculo integra o livro “Teatro Jovem – Processos Dramatúrgicos para Adolescentes” (2024), que sistematiza uma pesquisa desenvolvida por Baruck desde 2017. As indicações reforçam a potência de um trabalho autoral que articula texto, encenação, corpo e música como um único gesto criativo — e reafirmam a força cultural da Baixada Fluminense no cenário teatral do Rio.
