Peça criada em curso de teatro recebe três indicações ao Prêmio do Humor, de Fábio Porchat

 

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Uma peça concebida num curso de teatro da Barra da Tijuca, que lança um olhar bem-humorado sobre uma tragédia que comove espectadores há séculos, recebeu três indicações ao Prêmio do Humor, idealizado por Fábio Porchat: “Édipo de novo?” concorre nas categorias melhor espetáculo, melhor texto e direção. O resultado sai dia 16. Entre orgulhoso e surpreso, o ator Thiago Bomilcar Braga, responsável pela montagem e professor do curso ministrado no Shopping Barra Point, conta que que a peça foi criada despretensiosamente.

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— Em 2022 eu resolvi trabalhar Édipo, esse texto clássico, de forma cômica com os alunos. Deu tão certo que eu resolvi levar para fora do curso. Chamei quatro atores (alunos do curso) e a gente remontou a peça no ano passado. Pegamos o projeto despretensiosamente, só por vontade de trabalhar junto — relata.

Para ele, um dos diferenciais da montagem foi transformar uma tragédia em comédia, sem esvaziar a força da história.

— Sempre me interessei muito pela história de Édipo, que tem uma reviravolta enlouquecedora. Mas, na montagem, considerei que, num cenário em que a realidade está tão difícil, as pessoas querem rir — pondera. — Os atores são muito bons de improviso e muito ligados nos acontecimentos políticos, que a gente acaba incorporando na peça. E a comédia ajuda muito a falar sobre temas espinhosos de forma leve, né? Acho que foi por isso que deu tão certo.

O curso de Braga, iniciado há 15 anos, é totalmente voltado para a prática de montagem de espetáculos. Ele diz que, no caso do “Édipo de novo?”, o empenho dos alunos foi foi determinante para que a ideia ganhasse novos rumos.

— A gente ia fazer apenas uma apresentação, mas, com o sucesso, acabamos fazendo quatro. Foi aí que vi o potencial — explica. — Dos 13 alunos, escolhi quatro, todos atores profissionais, porque é dificílimo conciliar a agenda de uma equipe grande. E muitos dos alunos não têm interesse em seguir um caminho profissional no teatro.

Thiago Braga, diretor da peça "Édipo de novo?"

Divulgação/Thiago Braga

Atualmente, “Édipo novo?” está em cartaz no Teatro Candido Mendes, em Ipanema. Braga conta que, apesar do sucesso, as indicações ao prêmio, que ele valoriza por destacar um gênero pouco valorizado nas grandes premiações, foram uma surpresa.

— A gente não teve patrocínio. Fizemos financiamento coletivo. Então, quando vieram essas indicações, ficamos surpresos e muito gratos. Mostra que as coisas podem acontecer quando você realmente tem vontade. É um trabalho que saiu de um curso, de um lugar embrionário, com uma galera nova, cheia de vontade de realizar— compartilha. — Para a gente, que faz esse teatro de guerrilha, tão independente, é muito bom ter esse reconhecimento. Estar ali brigando de igual pra igual com atores como o Gregorio Duvivier, que está concorrendo com “O céu na língua”.

O ano letivo no curso de Braga acaba de começar e tem matrículas abertas.

— No primeiro semestre, fazemos exercícios mais livres. A partir disso, vou entendendo a turma que tenho e que tipo de espetáculo seria legal apresentar. Escuto os alunos, mas normalmente trago propostas a partir dessa leitura — explica. — Eles participam da criação das cenas. Gosto de vê-los improvisarem, o que criam como imagem, como pensam os personagens.

As turmas reúnem tanto atores quanto pessoas de outras áreas que encontram no teatro benefícios que vão além da formação artística.

— Acho de extrema importância as pessoas fazerem teatro. Não é só oratória ou perder a inibição. O mais legal é trabalhar o coletivo: escutar o outro, saber se colocar, ter o lugar de falar e ser ouvido, estar atento ao que o outro está fazendo. Resolver a cena, o improviso, isso serve para qualquer profissão — avalia. — No ano passado, eu tinha sete psicólogas na turma. Discutimos os personagens com muito aprofundamento. Acho que proporciona muito autoconhecimento também.

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