Quando se pensa em um milharal, geralmente vem a imagem de uma série de plantas com uma longa haste única, com folhas longas e espigas. No entanto, às vezes a natureza resolve "variar". A leitora Daiana Michelon, de Concórdia, mandou uma imagem de um pé de milho que não apenas desenvolveu "ramos", mas possui sementes nas pontas dos caules - os pendões -, e pergunta o que gerou essa mudança. O especialista Paulo César Magalhães, da Embrapa Milho e Sorgo, explica o que aconteceu com esta planta. Pé de milho registrado por Daiana Michelon Arquivo pessoal P - Poderiam nos informar por que se desenvolveu desta forma a espiga do pé de milho? Daiana Michelon, Concórdia (SC) R: A planta de milho apresenta perfilhamento, nome dado ao desenvolvimento de ramo lateral originado, em geral, de nós localizados abaixo da superfície do solo. Neste caso, é oriundo da axila foliar, processo conhecido como perfilho axilar. Todo broto ou caule secundário (perfilho) é capaz de produzir as estruturas semelhantes às da planta-mãe, inclusive alguns geram espigas igualmente boas.
No entanto, pelo efeito de algum estresse abiótico – impacto de fatores climáticos e de outras condições do local do plantio, como a textura do solo –, o perfilho apresenta um desbalanço hormonal que leva à produção de espigas no pendão. O aparecimento do fenômeno chamado tassel seeds (sementes no pendão) é, como de diversas anomalias, favorecido em planta isolada. Sem possuir proteção da palha e sujeito ao ataque de pássaros e roedores, o milho do pendão não tem valor comercial. Consultor: Paulo César Magalhães, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo; Rodovia MG-424, Km 65, Bairro Esmeraldas, Caixa Postal 151, CEP 35702-098, Sete Lagoas (MG), Tel. (31) 3027-1100, www.embrapa.br/fale-conosco/sac/
Globo Rural