PCC, O Salve Geral: O GLOBO e CBN lançam podcast sobre atentados de maio de 2006

 

Fonte:


Ruas vazias. Escolas fechadas. Repartições públicas e empresas sem expediente. A cidade de São Paulo, a maior metrópole da América Latina, ficou em silêncio em 15 de maio de 2006. A facção criminosa Primeiro Comando da Capital, na época uma desconhecida do grande público, decidiu enfrentar o Estado depois de ter 765 líderes presos transferidos para uma penitenciária do interior de São Paulo com regras mais rígidas.

Em maio de 2006, o PCC anunciou um toque de recolher velado, obrigou a população a se trancar em casa e matou 59 agentes das forças de segurança. O revide da polícia, nos dias seguintes, foi num crescente. A guerra deixou o total de 564 mortos — sendo 59 agentes públicos e 505 civis. Os bastidores dos atentados de maio de 2006 e a transformação da facção nas duas últimas décadas são tema do podcast PCC: O Salve Geral, uma produção do jornal O GLOBO e da rádio CBN, que será lançado amanhã (7).

Ao longo de dez meses, a reportagem entrou em contato com mais de 50 fontes, realizou mais de 20 entrevistas e acessou mais de 15 mil páginas de documentos para reconstituir aqueles dias de horror em São Paulo. E compreender como uma facção nascida em presídios para reivindicar direitos básicos, como papel higiênico e colchão, tornou-se um grupo criminoso transnacional, hoje presente em 28 países e com faturamento em torno de R$ 12 bilhões ao ano, segundo dados do Ministério Público de São Paulo. A série, com o total de cinco episódios, será publicada às quintas-feiras nos sites dos dois veículos e nos principais tocadores, até o próximo dia 21.

Vinte anos depois da tragédia, as famílias das vítimas desta guerra travada entre o crime e a PM ainda vivem o luto. O podcast traz o relato de duas famílias: a mãe de um jovem executado pela polícia e a viúva de um policial morto pelo crime. Maria Sônia Lins, de São Vicente, na Baixada Santista, e Maria Luiza Gonçalves Reis, da capital, guardam memórias de um dia que gostariam de esquecer.

O programa trará uma revelação importante: como o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, destituiu os antigos líderes para tomar o poder. Os detalhes inéditos foram dados à equipe do podcast por Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, em sua última entrevista antes de morrer.

Por quatro décadas, Fontes investigou o surgimento e a expansão da facção, e foi o responsável por sistematizar boa parte do que se sabe hoje a respeito do PCC, desde a organização e estatuto à estrutura e lideranças. Foi ele também quem conduziu as investigações que resultaram nas maiores condenações de Marcola.

Fontes foi brutalmente assassinado com tiros de fuzil ao sair do trabalho em 15 de setembro de 2025. Aposentado da Polícia Civil desde 2022, ele estava como secretário de Administração da Prefeitura de Praia Grande, no litoral de São Paulo.

A reportagem foi até o Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina, para compreender como as forças de segurança tentam desmantelar o maior negócio do PCC hoje: o tráfico internacional. E se aprofundou em investigações recentes para explicar como a facção, que antes enterrava os lucros do crime, agora tem um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro, que opera diretamente da Faria Lima, o centro financeiro do país.