PCC domina lista de brasileiros ligados a facções designadas como terroristas pelos EUA; veja nomes
O PCC concentra a maior parte dos brasileiros apontados publicamente como ligados a facções criminosas com alcance internacional em listas de procurados e investigações recentes, justamente no momento em que os Estados Unidos decidiram classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como grupos terroristas.
Com decisão dos EUA, PCC e CV se juntam a Al Qaeda, Hamas e mais de 90 organizações terroristas; veja lista
Estados Unidos decidem classificar CV e PCC como organizações terroristas
O Departamento de Estado americano anunciou nesta quinta-feira que as duas facções brasileiras foram designadas como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e que também serão incluídas na lista de “Organizações Terroristas Estrangeiras” a partir de 5 de junho. A decisão foi comunicada pelo secretário de Estado Marco Rubio, no governo Donald Trump.
A medida tem impacto sobretudo financeiro e jurídico. A classificação permite sanções contra integrantes, empresas e pessoas acusadas de prestar apoio material às facções. Também amplia o alcance das autoridades americanas sobre redes de lavagem de dinheiro, tráfico internacional e movimentações financeiras fora do Brasil.
Embora PCC e Comando Vermelho tenham sido citados juntos no comunicado americano, o GLOBO cruzou dados públicos da Interol, decisões judiciais e casos recentes para consolidar que o PCC aparece com maior frequência entre os nomes associados a facções brasileiras com atuação internacional.
Veja casos:
Entre os casos mais recentes estão investigados por um esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis apontado por autoridades brasileiras como ligado ao PCC. O grupo inclui nomes como Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo” ou “Jumbo”; Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”; Daniel Dias Lopes; Miriam Favero Lopes; Felipe Renan Jacobs; Renato Renard Gineste; Rodrigo Renard Gineste; e Celso Leite Soares. Parte deles foi incluída na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo usado para alertar polícias de outros países sobre pessoas procuradas pela Justiça.
Também aparecem em investigações e reportagens nomes como Marcos Roberto de Almeida, o “Tuta”, apontado como liderança do PCC e preso na Bolívia; Sérgio Luiz de Freitas Filho, conhecido como “Mijão” ou “Xixi”, citado pelo Ministério Público de São Paulo como um dos principais nomes da facção nas ruas; além de Felipe Anderson Pinho de Sousa, o “Felipe Pacote”, e Gleison Gomes de Oliveira, o “Zé Caboclo”, apontados como lideranças do PCC no Ceará.
No caso do Comando Vermelho, um dos nomes de maior projeção internacional citados em reportagens recentes é Luiz Carlos Bandeira Rodrigues, o “Zeus”, apontado como chefe do tráfico da Muzema, na Zona Oeste do Rio, e como figura ligada à atuação da facção fora do país.
Alguns nomes incluídos na Difusão Vermelha não aparecem no sistema público da Interpol por estratégia de inteligência, ficando acessíveis apenas às polícias dos países integrantes. Isso limita a checagem aberta caso a caso.
A presença desses nomes em investigações internacionais ajuda a explicar a justificativa americana para a nova classificação. No comunicado, o Departamento de Estado afirmou que PCC e CV têm atuação transnacional, participação no tráfico de drogas e armas e capacidade de afetar interesses dos Estados Unidos.
A decisão, porém, abriu uma crise diplomática com o governo brasileiro. O Palácio do Planalto vê a medida com cautela por considerar que a legislação brasileira não enquadra PCC e CV como organizações terroristas, mas como organizações criminosas. Pela Lei Antiterrorismo brasileira, o terrorismo exige motivações ligadas a xenofobia, discriminação, preconceito, ideologia, política ou religião — o que não corresponde, na avaliação do governo, à lógica econômica das facções.
Na prática, a nova lista americana não transforma automaticamente os procurados brasileiros em terroristas pela lei brasileira. Mas muda o tratamento dado pelos Estados Unidos às redes associadas a PCC e CV, com potencial de ampliar bloqueios financeiros, cooperação policial e processos contra envolvidos fora do país.
