O tripé competitividade, descarbonização e novos negócios orienta a Votorantim Cimentos
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As demandas do mercado sobre o setor de materiais de construção se multiplicam rapidamente – por regulação, questões socioambientais e necessidades de produtos de alto desempenho, entre outras razões.
As empresas que incorporam práticas inovadoras de forma ágil obtêm resultados positivos evidentes, seja em crescimento financeiro, seja em fortalecimento de marca.
As cinco empresas mais bem colocadas do setor na pesquisa Valor Inovação Brasil 2026 têm em comum uma estratégia baseada em investimentos contínuos em inovação, não só para atingir metas, mas também para se antecipar às demandas do mercado.
A lider do setor, Votorantim Cimentos, uma das maiores fabricantes do material do mundo, investiu, nos últimos cinco anos, R$ 1,3 bilhão em inovação.
Em 2025, foram R$ 319 milhões.
Um dos resultados desse investimento foi o lançamento, em julho deste ano, do Cemfast (Cimento Especial para Rodovias, Portos e Aeroportos), voltado para a manutenção de pavimento de concreto.
Segundo Marcio Yamachira, diretor global de Planejamento Estratégico e Inovação da companhia, o desenvolvimento da tecnologia partiu da necessidade de evitar interdições prolongadas em eixos logísticos de alta demanda.
Trata-se de um cimento especial que permite a liberação segura de faixas de tráfego pesado em até cinco horas.
Em métodos convencionais, o processo pode levar até cinco dias.
Yamachira destaca que todos os projetos de inovação da empresa, conduzidos por uma equipe de 60 pessoas, estruturam-se sobre três pilares: aumento de competitividade, descarbonização e crescimento por meio de novos produtos e modelos de negócios.
“O Cemfast conversa com todos.
Garante competitividade para a empresa, ajuda a reduzir a pegada de carbono - estamos falando em algo perto de 70 kg por metro cúbico – e presta um novo serviço”, afirma.
O embrião do novo produto surgiu há cerca de cinco anos no InovaVC, programa de intraempreendedorismo criado no Brasil e posteriormente expandido para operações em outros países.
"A Votorantim Cimentos parte do princípio de que a inovação depende de um ambiente que incentive a experimentação, aceite erros e estimule o aprendizado”, afirma o executivo.
“Nem todas as nossas ideias vão dar certo, mas aprenderemos a partir disso.
Aquelas que funcionarem vão se traduzir em novas verticais de negócio ou novos produtos e serviços.”
A segunda colocada, Dexco, detentora de marcas como Deca, Portinari e Hydra, direciona mais de 5% da sua receita líquida para inovação.
Conta com 45 colaboradores totalmente dedicados a essa frente de trabalho e 230 parcialmente dedicados, relata Elisa Shimao, diretora de TI e Serviços Compartilhados.
Elisa Shimao, diretora de TI e Serviços Compartilhados
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“Tratamos o tema como parte da estratégia corporativa, e não como uma agenda paralela ou eventual.
A inovação está conectada à eficiência operacional, transformação digital, sustentabilidade, desenvolvimento de portfólio, alocação de capital e relacionamento com o mercado”, diz.
Com esse foco, a companhia teve como lançamentos mais recentes o Portinari Petra, nova categoria de superfícies cerâmicas sinterizadas e ultracompactadas, produzida na fábrica de Botucatu, em São Paulo, com o objetivo de diminuir a dependência do Brasil de importações; e o Eucaflow, sistema em prova de conceito que usa visão computacional e inteligência artificial embarcada para irrigação mecanizada de mudas de eucalipto.
Elisa afirma que os dois trouxeram muitos aprendizados: “Em ambos os casos, o principal foi transformar problemas reais do negócio em soluções mensuráveis, testar com parceiros, corrigir rota rapidamente e escalar apenas aquilo que comprova valor técnico, financeiro e operacional”.
As propostas inovadoras da Dexco resultam de diversos programas, incluindo o de intraempreendedorismo.
Em dez anos, o Imagine acumulou R$ 311,72 milhões em valor validado; já o programa de inovação aberta Open Dexco conta com R$ 6,1 milhões por ano em potencial de ganho; e o fundo de corporate venture DX Ventures tem mais de R$ 175 milhões totais investidos em startups.
Terceira empresa mais inovadora do setor de materiais de construção, a Ciser, fabricante de fixadores, investe continuamente em inovação desde 2009 e, mais fortemente, desde 2020, quando criou o Hub Colmeia.
“Há seis anos, aportamos mais de 1% do faturamento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).
Esse orçamento não é estático e se baseia no potencial dos projetos”, diz Luidgi Pedrazza, gerente de P&DI da empresa.
Para estimular a inovação, a Ciser mantém iniciativas como o Desafix, programa de inovação aberta, além de incentivar uma cultura interna baseada na experimentação e no aprendizado.
"A empresa sabe que inovar exige validar, com precisão, os problemas que realmente precisam ser resolvidos", diz Pedrazza
"Todo mundo que começa inovar vai cometer erros.
Hoje, sabemos que não basta identificar um problema; é preciso ter clareza sobre como solucioná-lo.
Essa etapa é determinante, a fim de direcionar os esforços para soluções que realmente gerem valor.
Buscamos levar ao mercado uma inovação de fato, e não uma mera invenção", afirma o executivo.
Com essa orientação, a mais recente novidade da companhia é o revestimento Zinco Preto Trivalente com nanotecnologia.
O produto, livre de de Cr6+ (cromo hexavalente), é indicado para indústrias que exigem proteção anticorrosiva aliada a estética.
Incluem-se nesse grupo eletroeletrônicos, eletrodomésticos, carrocerias de ônibus, móveis, fechaduras e equipamentos industriais.
A Saint-Gobain, que projeta, fabrica e distribui materiais e serviços para os mercados residencial, não residencial e de infraestrutura, é a quarta colocada no setor.
A companhia opera em 80 países.
A direção global, na França, reconheceu o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Capivari, em São Paulo, como seu hub de inovação na América Latina (Innovation Hub LatAm).
Isso coloca o centro – que celebra 10 anos em 2026 – numa posição única no Hemisfério Sul.
São bons motivos para ele ter recebido recentemente um aporte de € 2 milhões (cerca de R$ 11,7 milhões), com previsão de mais € 3 milhões (R$ 17,5 milhões) nos próximos anos, explica Dimitri Nogueira, diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Saint-Gobain para América Latina.
“O objetivo é acelerar o desenvolvimento de soluções alinhadas às necessidades da região, mantendo conexão direta com as prioridades globais de inovação da Saint-Gobain”, diz o executivo.
Alguma das novidades saídas da unidade brasileira são o vidro de baixo carbono Atmos, que utiliza 70% de material reciclado em sua composição, e o sistema construtivo com lã de vidro Midfelt Agro, para aplicação no forro dos galpões em aviários para atuar como uma barreira isolante.
Na Tigre, a quinta empresa mais inovadora do setor, até 1% da receita líquida é disponibilizada para atividades de inovação.
O Head de Inovação Guilherme Lutt comenta que a empresa define seus objetivos a partir de uma combinação entre necessidades e problemas dos clientes, estudos de tendências e tecnologias, análises de mercado, regulamentações, mudanças no ambiente competitivo e contribuições do ecossistema de inovação.
“As prioridades são construídas de forma integrada e desdobradas para categorias, áreas e unidades de negócio, garantindo alinhamento entre estratégia corporativa e execução”, diz.
Como resultado prático, cita dois exemplos.
O primeiro é a implementação de um modelo de autoprodução de energia renovável por equiparação, estruturado por meio de parceria e investimento em um parque eólico na Bahia.
O segundo é o desenvolvimento de um modelo logístico em parceria com uma construtora referência em obras industrializadas, com o objetivo de eliminar estoques intermediários nos canteiros e aumentar a eficiência da instalação hidráulica.
“Ao longo dos anos, fomos aprimorando nosso modelo de inovação, sempre buscando trazer maior encaixe estratégico”, diz Lutt.
