Paulinho Sabiá: dois dias antes do assassinato de capoeirista, suspeito apertou o gatilho três vezes, mas arma falhou
Morto a tiros no último dia 18 de fevereiro, quando estava sentado no banco do carona de um carro, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, o fundador do Grupo Capoeira Brasil, o capoeirista Paulo Cesar da Silva Souza, mais conhecido como Mestre Sabiá ou Paulinho Sabiá, havia escapado de uma tentativa de execução dois dias antes. Na noite do dia 16, um homem se aproximou pelas costas de Sabiá e apontou um revólver para a nuca da vítima. Ele apertou o gatilho três vezes, mas a arma falhou.
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Em seguida, o suspeito fugiu na garupa de uma motocicleta que já o aguardava. Câmeras de segurança flagraram a fuga e ajudaram a polícia a identificar o piloto do veículo. A narrativa da tentativa de homicídio consta no despacho do juiz da 3ª Vara Criminal de Niterói, que decidiu pela decretação da prisão temporária de Juan Nunes dos Santos. Ele já foi localizado e preso.
Mestre Paulinho sabiá registrou em delegacia que homem havia tentado o atacar dias antes de morrer
Reprodução redes sociais
Juan pilotava a motocicleta usada para dar fuga ao homem que tentou executar Mestre Sabiá no dia 16. O crime aconteceu em Icaraí, o mesmo bairro onde a vítima foi executada 48 horas depois. Os três tiros que mataram o capoeirista partiram de um revólver calibre 38, o mesmo tipo de arma usada na tentativa de execução anterior.
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Segundo a polícia, Juan também participou do assassinato de Sabiá, mais uma vez pilotando uma moto. Nesta quarta-feira, policiais da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI), que investigam a tentativa de homicídio e o assassinato de Sabiá, prenderam, por força de um mandado de prisão temporária, Adriana Souza Possobom, irmã de Paulinho Sabiá.
Segundo a polícia, ela é suspeita de ter encomendado a morte do irmão, após ter sido apontada por Juan Nunes dos Santos como mandante. Além dos dois presos, a DHNSGI investiga ainda se outras duas pessoas também participaram dos crimes.
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A previsão é que, nesta sexta-feira, Adriana passe por uma audiência de custódia na Central de Custódia de Benfica. Na ocasião, um juiz vai confirmar ou não a validade da prisão. Dependendo do resultado, ela poderá permanecer presa, com a prisão temporária sendo convertida em preventiva, ou será colocada em liberdade.
Na época do assassinato, ela deu uma entrevista ao GLOBO lamentando a morte:
— Meu irmão não tinha inimigos, nada que a gente soubesse. Era incapaz de fazer qualquer mal a alguém. Nos anos 1980, quando a capoeira era algo até um pouco agressivo, ele participou de um movimento para pacificar isso. A gente está muito perdido. Não sabemos quem pode ter feito isso com ele. O crime foi uma brutalidade — afirmou na época.
Os executores do assassinato seriam do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Segundo a polícia, uma reunião no local, que teria contado com a participação de Adriana, aconteceu para acertar o valor do pagamento pelo crime.
Ao portal G1, o delegado Willians Batista, que era responsável pela investigação, e foi transferido para a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, disse que Adriana ofereceu R$ 50 mil pelo assassinato. No entanto, segundo o delegado, ela chegou a pagar apenas R$ 10 mil como adiantamento.
A Polícia Civil investiga se a motivação do crime estaria ligada a questões financeiras. Segundo uma testemunha, a vítima possuía terrenos em Maricá, um carro, motocicletas antigas e aplicações financeiras que somavam cerca de R$ 100 mil.
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