Patinação ganha força em Belém como prática de lazer, saúde e qualidade de vida
Colocar o patins nos pés, sentir o vento no rosto e percorrer a cidade sobre rodas tem se tornado parte da rotina de muitos belenenses. Na capital, a patinação vive uma nova fase, impulsionada por grupos organizados, espaços públicos revitalizados e pelo interesse de adultos, jovens e crianças na prática. Além da atividade física, a modalidade vem sendo associada a lazer, saúde mental, convivência social e superação de desafios pessoais.
A engenheira civil Francy Pantoja, 48 anos, começou a patinar há quatro anos, mas o desejo nasceu ainda na infância. “Quando eu era criança, eu não tive oportunidade por uma série de fatores econômicos. Na primeira oportunidade que eu tive, eu disse: agora é a hora”, lembra. O início foi cauteloso: “Foi um ano inteiro de aulas particulares até eu me sentir segura para enfrentar as ruas da cidade”.
Para Francy, a patinação é mais do que um hobby. “Para mim é saúde, é disposição, é esquecimento de alguns problemas. Distrai a mente, é muito bom pra mente, não só pro corpo”, afirma. Ela conta que o esporte trouxe mais ânimo para a rotina de trabalho e ajudou a lidar com o estresse cotidiano, funcionando como uma válvula de escape saudável.
Começar na fase adulta trouxe medos que as crianças, segundo ela, não costumam ter. “Criança aprende muito rápido, não tem medo. A gente vai ficando mais velho e fica com medo de cair, de quebrar alguma coisa”, diz. Ainda assim, destaca que a diversidade de possibilidades, como manobras, velocidade e desafios urbanos, mantém o entusiasmo e a vontade constante de aprender algo novo.
A engenheira civil Francy Pantoja, 48 anos, começou a patinar há quatro anos, mas o desejo nasceu ainda na infância. (Cristino Martins/O Liberal)
Esporte que une pais e filhos
O publicitário Wemerson Figueiredo, 47 anos, patina desde 1994 e assiste o esporte atravessar gerações na própria família. Ele retomou a prática em 2009 ao levar a filha Letícia para andar de patins. Hoje, também compartilha a atividade com Laura, de 7 anos. “O esporte é vida. Eu conheci muita gente através da patinação. A gente tem um network muito grande”, afirma.
O publicitário Wemerson Figueiredo, 47 anos, patina desde 1994. Hoje, também compartilha a atividade com Laura, de 7 anos. (Ivan Duarte/O Liberal)
Integrante de um grupo de patinadores que se reúne semanalmente no Mangueirão, Wemerson destaca que os amigos organizam passeios e eventos que fortalecem os laços entre os participantes, promovendo integração e experiências coletivas dentro e fora da capital. “Esses valores de amizade, cumplicidade e parceria eu quero passar para minhas filhas”, explica.
Para Wemerson, a prática contribui para o desenvolvimento físico, mental e social, estimulando disciplina, convivência e contato com a cidade de forma ativa. Ele também ressalta o impacto nas crianças em um contexto atual marcado cada vez mais pelo digital. “A Laura troca qualquer coisa pela patinação, deixa o celular de lado”, comenta.
Patinação para diferentes idades
A diversidade etária é uma das marcas da modalidade. Segundo os praticantes, há crianças dando os primeiros passos e idosos ativos sobre rodas. “No Mangueirão, tem gente de quatro anos até quase 90”, conta Wemerson, citando o exemplo de um senhor que participa dos encontros semanais.
A engenheira e servidora pública Jaqueline Sarmento, que voltou a patinar depois de mais de duas décadas, representa esse movimento de retomada. “Dá medo, mas a gente enfrenta”, diz. Para ela, a prática tem dupla função: condicionamento físico e hobby. “Faz bem para a saúde mental”, resume, ao falar da sensação de superação a cada avanço.
A troca de experiências e a integração entre o grupo ajudam iniciantes a ganhar confiança, mostrando que o esporte é acessível a diferentes idades e níveis de habilidade. Jaqueline destaca a importância das aulas coletivas e da ajuda de patinadores mais experientes. “Essas iniciativas são muito importantes para chamar a gente de volta”, afirma.
A engenheira e servidora pública Jaqueline Sarmento, que voltou a patinar depois de mais de duas décadas, representa esse movimento de retomada. (Ivan Duarte/O Liberal)
Modalidades para todos os perfis
Com mais de 20 anos de prática, o administrador David Marques, 47 anos, explica que a patinação oferece diferentes estilos. “Existe o urban, com rodas maiores para enfrentar o asfalto; o slalom, que é mais técnico; e o half pipe, voltado para manobras mais intensas. Essa variedade amplia o alcance do esporte”, detalha.
Com mais de 20 anos de prática, o administrador David Marques, 47 anos, explica que a patinação oferece diferentes estilos. (Cristino Martins/O Liberal)
Já a locutora de rádio e instrutora de patinação Tatiana Ribeiro, com 37 anos de experiência, reforça que há espaço tanto para lazer quanto para competição. “É um esporte que não se atém somente a uma modalidade. É para todos os gostos”, afirma. Ela cita a velocidade, o slalom entre cones, o roller derby em equipe e o agressive, com saltos e manobras em obstáculos urbanos.
Hoje com 41 anos de idade, Tatiana começou a patinar aos quatro e construiu uma trajetória que inclui competições internacionais. Em 2016, participou da Maratona de Berlim, completando 42 quilômetros de patins em um dia e outros 42 de corrida no seguinte. “Foi exaustivo, mas eu consegui concluir os 84 km e trouxe duas medalhas alemãs aqui para o Pará”, conta.
Apesar das conquistas, ela enfatiza que não é preciso ser atleta para aproveitar os benefícios. “Só de colocar o patins no pé e pegar aquele vento no rosto já dá uma sensação de alívio”, diz. Segundo Tatiana, o esporte ajuda a queimar calorias, fortalecer as pernas e aliviar o estresse acumulado na rotina diária.
Para a instrutora, a patinação amplia horizontes e permite conhecer lugares de forma mais próxima e dinâmica. Ela destaca a possibilidade de conexão social, inclusive em viagens. “Em qualquer cidade que eu vá, consigo me conectar com grupos de patinadores”, relata.
Já a locutora de rádio e instrutora de patinação Tatiana Ribeiro, com 37 anos de experiência, reforça que há espaço tanto para lazer quanto para competição. (Carmen Helena/O Liberal)
Benefícios físicos e mentais
O advogado e instrutor Rodrigo Barros destaca que a patinação é um exercício cardiovascular completo. “É um ótimo exercício de cardio, equilíbrio e coordenação motora”, afirma. Para iniciantes, ele explica que a prática melhora a noção de espaço e a percepção corporal, contribuindo para o desenvolvimento motor.
Rodrigo observa que Belém vive um novo ciclo da patinação, impulsionado por espaços como o Portal da Amazônia, o Parque da Cidade e o Parque do Utinga. Segundo ele, esses ambientes ampliam a segurança e incentivam novos adeptos, fortalecendo a comunidade local de patinadores.
O advogado e instrutor Rodrigo Barros destaca que a patinação é um exercício cardiovascular completo. (Ivan Duarte/O Liberal)
O produtor de eventos Evalber Sá reforça que o esporte “muda vidas” e contribui para postura, equilíbrio e disciplina. “Procurar um bom profissional é fundamental. Aprender a cair faz parte do processo”, orienta. Para ele, os ganhos não se limitam ao físico: “Os benefícios da patinação, não só físicos como mentais, são fantásticos.”
Segurança como prioridade
Para os entrevistados, a segurança deve ser prioridade na prática da patinação. “Capacete em primeiro lugar”, enfatiza Tatiana. Para iniciantes, ela recomenda ainda munhequeiras, joelheiras e cotoveleiras, reduzindo riscos de lesões em quedas eventuais. Rodrigo reforça a importância de proteger a cabeça. “Nossa cabeça é a área mais frágil do corpo”, alerta.
Para os entrevistados, a segurança deve ser prioridade na prática da patinação. “Capacete em primeiro lugar”, enfatiza Tatiana. (Carmen Helena/O Liberal)
Mais informações: procure @patinadoresdopara e @aeeraoficial nas redes sociais
Informações para interessados em patinação em Belém estão disponíveis nas redes sociais. (Ivan Duarte/O Liberal).
