A nova operação da Polícia Federal sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, levou pastores aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a fazer ressalvas sobre a forma como o candidato vem enfrentando o caso na reta final da campanha. Duas das principais lideranças evangélicas próximas ao senador, Silas Malafaia e Robson Rodovalho mantêm o apoio, mas demonstram preocupação com os efeitos das investigações sobre a disputa presidencial. Fundador da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Malafaia avalia que Flávio tem respondido de maneira equivocada aos questionamentos sobre o filme e defende uma mudança de estratégia. Para o pastor, o candidato deveria enfatizar que participou da captação de recursos para a produção, mas não teve responsabilidade sobre a administração do dinheiro. — Acho que Flávio responde isso errado. Eu pedi dinheiro, mas não administrei. Querer colocar isso no colo dele é palhaçada — afirmou Malafaia ao GLOBO. O pastor também vê motivação política na operação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e classifica a ação como uma “cortina de fumaça” em meio à crise aberta na Corte. Na avaliação de Malafaia, o episódio desvia as atenções do embate envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça e dos questionamentos sobre a atuação da cúpula da Polícia Federal. Rodovalho, fundador da igreja Sara Nossa Terra e aliado de longa data da família Bolsonaro, também vê um cenário difícil após a operação, embora ressalte que o cumprimento de mandados de busca e apreensão não significa, por si só, que tenham sido encontradas provas contra Flávio. Para ele, tanto o candidato do PL quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegam desgastados à reta final da disputa. — Ao mesmo tempo que temos esse problema do Dark Horse, que está bastante confuso, a busca e apreensão não significa que necessariamente tenha encontrado alguma coisa e, ao mesmo tempo, tem desgaste de Lula. Os dois lados estão muito ruins. Ainda não apareceu nada de forma objetiva do Flávio — disse. Apesar da avaliação, Rodovalho descarta uma mudança de lado na eleição. O bispo afirma que a distância entre as igrejas de seu campo e o governo Lula tornou inviável uma aproximação nesta altura da campanha. — Eu vou votar com Flávio, mesmo que seja para perder. Não tem outra opção. Não conseguimos construir diálogos com Lula, nem pontes. Infelizmente não conseguimos, ficou muito distante. Se tivesse feito um governo para todos, poderíamos estar juntos — afirmou. As manifestações ocorrem num momento em que o eleitorado evangélico continua sendo um dos principais pilares da candidatura de Flávio, mas ainda guarda uma parcela de votos em disputa. Na última pesquisa Quaest, o senador registrou 42% das intenções de voto no primeiro turno nesse segmento, ante 22% de Lula, enquanto 12% permanecem sem candidato definido. A disputa por esse grupo ganhou peso adicional diante do empate entre Lula e Flávio no cenário nacional de segundo turno, com 41% para cada um. A preocupação ganhou novo combustível nesta quinta-feira, quando a PF deflagrou a operação Make Up, autorizada por Dino, para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos relacionados à produção de “Dark Horse”. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão. Entre os principais alvos estão o deputado Mário Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do filme, e a empresária Karina Gama, ligada à Go Up Entertainment, produtora do longa. A investigação apura, entre outros pontos, o destino de emendas parlamentares indicadas por Frias. Flávio não é alvo da operação desta quinta-feira, mas participou diretamente da busca por financiamento privado para o filme. Em outra investigação, sob relatoria de André Mendonça, mensagens revelaram que o senador pediu recursos ao então banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar a produção. A operação também colocou sob os holofotes um personagem do círculo pessoal de Flávio. Marcello de Oliveira Lopes, conhecido como Marcelão, amigo próximo e ex-marqueteiro do senador, transferiu R$ 1 milhão à Go Up. Segundo a investigação, o pagamento está entre movimentações consideradas atípicas pela PF. A produtora movimentou R$ 19 milhões entre novembro e dezembro do ano passado. Marcelão deixou a campanha de Flávio em maio, logo após a revelação do financiamento de “Dark Horse”. A proximidade entre os dois, no entanto, vai além da relação profissional: o ex-marqueteiro é amigo próximo do candidato. O novo episódio ocorre justamente quando aliados de Flávio vinham tentando recolocar a crise do STF no centro da campanha. Nesta quinta-feira, o próprio candidato reagiu à operação afirmando que o filme não recebeu dinheiro público e acusando Dino de tentar interferir na eleição.
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Pastores aliados, Malafaia diz que Flávio ‘responde errado’ sobre Dark Horse e Rodovalho admite cenário difícil após operação
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O Globo
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