Ambientalistas britânicos lutam há décadas para evitar que o tartaranhão-caçador (Circus pygargus) desapareça por completo do Reino Unido, mas o recente alívio na preservação da espécie tem um protagonista improvável: um macho "absolutamente prolífico" de 10 anos.
Batizado de AU — símbolo químico do ouro —, o macho já gerou 16 filhotes ao longo da vida, sendo dez apenas nos últimos dois anos.
"Ele está no auge de sua carreira", afirmou Mark Thomas, biólogo responsável pela área de espécies da Real Sociedade para a Proteção das Aves (RSPB), ao apresentador Paul Hunter, do programa As It Happens.
"Ele está, sozinho, sustentando essa espécie no Reino Unido.
Não há como negar."
O tartaranhão-caçador é uma ave de rapina migratória que passa o inverno na África e na Ásia, retornando à Europa a cada primavera para se reproduzir.
Embora figure globalmente como espécie de menor preocupação na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, a população no Reino Unido despencou e corre risco iminente de sumir.
No auge, na década de 50, o país registrava cerca de 30 casais reprodutores, caindo a zero nos anos 1970.
O grupo subiu para 13 em meados dos anos 2000, mas sofreu nova queda brusca, zerando entre 2000 e 2003.
Um dos ninhos da espécie, localizado no Reino Unido
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"Estamos desesperados para tentar salvar as aves que temos atualmente.
E tem sido um ótimo ano", explicou Thomas.
"
O sucesso da temporada atual é mérito do trabalho de cortejo de AU.
Após criar quatro filhotes em 2025, o "garoto de ouro" voltou este ano para realizar acrobacias aéreas e atrair fêmeas receptivas.
"Ele voa a uns trezentos metros de altura e depois faz piruetas incríveis, exibindo suas asas", detalhou o especialista.
"As fêmeas aparecem em seguida e o perseguem." A disputa foi acirrada: três fêmeas disputaram a atenção do macho.
"Os três brigaram feio e acabaram ficando só dois.
Aí os dois ficaram e fizeram ninho com ele", completou Thomas.
Com as duas parceiras, AU gerou seis novos filhotes (quatro fêmeas e dois machos).
A expectativa é que essa prole retorne no futuro para manter o ciclo reprodutivo; dois filhotes machos de 2025 já foram vistos no país, embora ainda não tenham idade para procriar.
"Essa é uma notícia muito boa em termos de continuidade do crescimento populacional", comemorou Thomas.
AU está em seu auge reprodutivo, e pode ser o responsável pela salvação da espécie
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Hoje, os seis recém-nascidos dividem-se entre dois ninhos distantes cerca de um quilômetro entre si, instalados em um ponto mantido sob sigilo total em uma fazenda britânica.
Apenas os pesquisadores e os donos da terra sabem a localização exata, onde foram instaladas cercas de proteção contra predadores.
"Esta é uma das aves mais fascinantes que temos no Reino Unido, e trabalhar com ela é um sonho realizado todos os dias", declarou Thomas.
"É também uma grande responsabilidade, sabe, saber que você está cuidando dos filhotes de uma ave que só tem dois ninhos em todo o Reino Unido."
Para facilitar o monitoramento futuro, a RSPB instalou pela primeira vez rastreadores via satélite em duas aves jovens, uma de cada ninho.
O rastreamento permitirá acompanhar a rota migratória e localizar com rapidez os novos ninhos caso os espécimes sobrevivam e retornem para procriar.
Mais sobre a espécie
Como o gavião, o tartaranhão-caçador tem características de predadores diurnos: bico curvo e afiado, além de garras extremamente fortes para capturar presas.
As aves desse grupo do gênero Circus são conhecidas por um visual mais esguio, asas longas e estreitas, e pelo hábito peculiar de voar baixo sobre campos abertos e construir seus ninhos diretamente no chão.
*Estagiário sob supervisão de Fernando Moreira
