O uso das redes sociais está muito presente na rotina dos brasileiros, seja para se informar, se distrair ou acompanhar tendências.
No entanto, a exposição constante ao conteúdo do feed pode ultrapassar o entretenimento e começar a influenciar o bem-estar e a saúde financeira.
Nesse contexto, surge o “efeito vitrine”, em que o usuário fica exposto 24 horas por dia a uma infinidade de produtos e estilos de vida, o que pode estimular a comparação com outras pessoas e, em alguns casos, levar a compras não planejadas.
Para explicar os impactos e prejuízos, o TechTudo conversou com o especialista em negócios e finanças da Simplic, Marco Afonso, e a psicóloga Andreza Ildefonso.
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A exposição constante ao conteúdo das redes sociais pode estimular o consumo desnecessário
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Índice
O que é o “efeito vitrine” das redes sociais?
Passar mais de 3 horas nas redes está relacionado a pior bem-estar?
Por que o feed pode estimular compras por impulso?
Como uma compra por impulso pode virar dívida?
Ansiedade, consumo e dívida podem formar um ciclo?
Como evitar que as redes sociais controlem suas compras?
O que é o “efeito vitrine” das redes sociais?
A exposição de conteúdos acontece 24 horas por dia, o que acaba gerando um forte desejo de consumir no usuário.
Seja uma viagem dos sonhos, um restaurante que viralizou, roupas que se tornaram tendência entre celebridades ou até produtos que prometem fazer o cabelo crescer ou melhorar a sua saúde.
Esse conjunto de estímulos é o chamado “efeito vitrine”.
Um estudo realizado com mais de três mil participantes pelo Instituto Cactus, em parceria com a AtlasIntel, revelou que os internautas que passam três horas ou mais por dia nessas plataformas podem apresentar indicadores mais graves de bem-estar emocional.
Além disso, metade dos entrevistados da pesquisa relataram apresentar sintomas de ansiedade devido ao constante uso das redes sociais.
“O consumidor busca aliviar um incômodo subjetivo, mas, nesse movimento, perde a referência do próprio orçamento.
É uma reação de curto-circuito, não uma escolha consciente." afirma Afonso
Segundo Afonso, esse comportamento está relacionado à busca por uma satisfação imediata, que pode desencadear um ciclo emocional e comprometer a percepção sobre a própria realidade financeira.
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O “efeito vitrine” das redes sociais pode estimular o consumo e impactar a vida financeira
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Passar mais de 3 horas nas redes está relacionado a um pior bem-estar?
Esse efeito também pode ser intensificado pela influência de criadores de conteúdo nas redes sociais, especialmente quando divulgam informações e até produtos apresentados como soluções para melhorar a aparência, a rotina ou até o bem-estar.
Ao passar muito tempo rolando o feed e sendo exposto a uma sequência de recomendações, o usuário pode começar a desejar produtos que nem estavam nos planos de compra.
O discurso, muitas vezes, é de que determinado produto é necessário para que a pessoa se sinta melhor, mais bonita ou mais satisfeita.
“Isso pode gerar sentimentos de inadequação, baixa autoestima e ansiedade, além da sensação de que nunca somos suficientes.
A exposição constante ao consumo também pode fazer com que a pessoa associe felicidade à compra de produtos ou a um determinado estilo de vida, aumentando a frustração quando essa realidade não faz parte do seu dia a dia.” declara Ildefonso
Para a psicóloga Andreza Ildefonso, essa exposição acaba gerando um desgaste emocional nas pessoas.
O que pode acabar causando o efeito oposto: embora a compra possa proporcionar uma sensação momentânea de satisfação e dopamina, ela pode ser seguida pelo entendimento de que aquela não era uma necessidade real.
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Por que o feed pode estimular compras por impulso?
O feed se tornou uma ferramenta para apresentar produtos, serviços e estilos de vida.
Nesse cenário, entra o famoso conceito de FOMO (fear of missing out), ou medo de ficar de fora.
A comparação social, somada à sensação de que é preciso acompanhar as tendências, senão você pode acabar ficando excluído, pode aumentar o estímulo para compras por impulso, principalmente no ambiente online, em que basta um clique para realizar uma compra.
Segundo Ildefonso, o FOMO pode prolongar o tempo nas redes e estimular decisões para gerar uma sensação de pertencimento.
O problema é que essa impressão de satisfação pode ser momentânea.
O consumidor pode acreditar que determinado produto ou serviço representa o estilo de vida que deseja, quando, na realidade, está apenas respondendo aos estímulos daquela grande vitrine que é a rede social.
Em alguns casos, também pode incentivar decisões impulsivas, como participar de eventos, seguir tendências ou fazer compras apenas para sentir que pertencem a determinado grupo ou estilo de vida.
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Como uma compra por impulso pode virar dívida?
A interpretação de que a compra é acessível, principalmente quando apresentada em pequenas parcelas, pode facilitar ainda mais o consumo na internet.
Com a facilidade de parcelamento e a sensação de que “cabe no bolso”, gastos recorrentes acabam parecendo inofensivos.
No entanto, quando várias compras se acumulam, a conta pode ser bem maior do que o consumidor imaginava no fim do mês.
Para Afonso, algumas mudanças de comportamento são necessárias para evitar futuras dívidas.
“Isso significa desenvolver o hábito de acompanhar rotineiramente o orçamento, estabelecer limites para despesas não essenciais e criar um intervalo entre o desejo de compra e a decisão final, para se perguntar se esse gasto realmente é uma necessidade ou apenas necessidade emocional.” diz Afonso
De acordo com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o SPC Brasil, 62% dos brasileiros já fizeram compras não planejadas pela internet e 40% ainda admitem ter gastos além do que deveriam.
Outro levantamento da CNDL e do SPC aponta que 35% dos consumidores já contraíram dívidas ou atrasaram pagamentos por compras feitas por impulso.
O impacto também aparece no cenário de inadimplentes do país.
Segundo o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa, 83,7 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em junho de 2026.
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Segundo a Serasa, 83,7 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em junho de 2026
Arte/TechTudo
Ansiedade, consumo e dívida podem formar um ciclo?
Ao rolar pelo feed e ver constantemente produtos e um estilo de vida apresentados como ideais, o usuário pode começar a se comparar e sentir que está faltando algo na própria vida.
Essa sensação pode acabar incentivando compras por impulso, como uma tentativa de compensar a frustração ou se aproximar da realidade mostrada nas redes sociais.
A compra pode proporcionar uma sensação imediata de alívio, mas o efeito é passageiro.
Depois, vem a percepção do impacto financeiro, que pode gerar preocupação, culpa e estresse.
Para a psicóloga Ildefonso, identificar alguns sinais pode ser importante para perceber quando essa relação deixa de ser saudável.
Entre eles estão: perceber que o uso das redes provoca ansiedade quando a pessoa está conectada, viver em constante comparação com outras pessoas, sentir necessidade de comprar para aliviar emoções negativas, fazer compras por impulso com frequência ou comprometer a sua própria saúde financeira.
“O sinal de alerta é quando as redes começam a gerar ansiedade, alimentar comparações e levar a compras por impulso que prejudicam a vida financeira e a rotina.”
Com o bem-estar emocional abalado, o consumidor pode voltar às redes em busca de distração, validação ou novas soluções para se sentir melhor.
E, nesse ambiente, encontra novamente uma infinidade de produtos e promessas, o que pode estimular uma nova compra.
Assim, pode se formar um ciclo em que a comparação e o desconforto emocional levam ao consumo, enquanto a preocupação financeira gerada por esse comportamento pode alimentar novamente o estresse e a busca por alívio nas redes sociais.
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Comprar para aliviar uma frustração ou ansiedade pode se tornar um ciclo
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Como evitar que as redes sociais controlem suas compras?
Algumas estratégias ajudam a evitar compras por impulso, principalmente naquele momento em que a vontade de consumir aparece com mais força.
Para romper esse ciclo, pequenas mudanças de comportamento podem fazer diferença.
Tirar o cartão de crédito salvo nos aplicativos, deixar de seguir ou silenciar perfis que incentivam o consumo excessivo e estabelecer um limite para compras não essenciais são algumas alternativas.
Antes de finalizar uma compra, também vale se perguntar: “Eu compraria isso se não tivesse visto no Instagram/TikTok?”ou "Isso é algo que eu realmente preciso?"
“Educação financeira não significa abrir mão de tudo, mas fazer escolhas com sobriedade e quebrar o ciclo gerado pela exposição constante.
É entender que pertencimento não se compra, e que a vida melhor, na maioria das vezes, não está num produto, mas naquilo que conseguimos construir sem pressa e sem dívidas.” - afirma Afonso
É importante ainda observar o impacto do parcelamento no orçamento e conferir o valor total da compra, e não apenas o preço de cada parcela.
Dessa forma, fica mais fácil ter uma visão do quanto será comprometido ao longo dos meses.
Outra estratégia simples é adotar a chamada regra das 24 horas: esperar um dia antes de concluir uma compra que não estava planejada.
Esse intervalo pode ajudar a reduzir o impulso e dar tempo para avaliar se o produto é realmente necessário.
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Reprodução/Luã Souza
Com informações de Panorama da Saúde Mental- Instituto Cactus e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL)
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