Passageiro do cruzeiro afetado por hantavírus fala sobre a experiência a bordo
Neste domingo, começou a evacuação do cruzeiro MV Hondius, onde surgiu um surto de hantavírus que provocou três mortes, e vários passageiros desembarcaram no porto de Tenerife, na Espanha. Outro grupo de pessoas continuará a viagem até Rotterdam, nos Países Baixos; um deles é o único argentino a bordo da embarcação, que contou como foram os últimos dias no navio e explicou como os passageiros ficaram sabendo dos primeiros contágios.
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— Foi uma viagem diferente do que se imaginava... Uma tragédia, mas agora temos que passar alguns dias em quarentena — refletiu Carlos, o aposentado que embarcou em 1º de abril na cidade de Ushuaia e permanece a bordo do cruzeiro.
O engenheiro aposentado relatou que souberam que um casal originário dos Países Baixos estava doente por meio de um comunicado do capitão, quando estavam na ilha de Tristão da Cunha, no Atlântico Sul.
— Ninguém suspeitava de nada porque eram pessoas idosas, tinham um quadro de febre que foi tratado como infecção — explicou, antes de acrescentar. — Tristão é uma ilha desolada, a mais remota do planeta, não há nada lá. Tivemos que viajar até Santa Helena, que é mais estruturada, e lá a viúva desembarcou e a levaram para Joanesburgo.
Um passageiro (à direita) usa traje de proteção e máscara ao embarcar em um ônibus militar enquanto passageiros e tripulantes são evacuados do cruzeiro MV Hondius, de bandeira holandesa e atingido por um surto de hantavírus, no porto industrial de Granadilla de Abona, na ilha de Tenerife, nas Canárias, na Espanha, em 10 de maio de 2026
AFP
— Foi aí que a mulher morreu e os alarmes dispararam. Começaram a fazer exames em nós e a definir que teríamos de ficar isolados — lembrou Carlos em entrevista ao canal TN.
O roteiro inicial do cruzeiro, que partiu do sul da Argentina, incluía três dias nas ilhas Geórgia do Sul, depois Tristão da Cunha e, originalmente, terminaria em Cabo Verde.
— Nesse meio-tempo apareceu mais um infectado, um inglês, e ele foi desembarcado com sintomas. Também foi infectado o médico que atendeu todos eles. Foi aí que começamos o isolamento e a nos cuidar — acrescentou o engenheiro.
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Apesar de a notícia do navio com casos de hantavírus ter causado repercussão internacional, Carlos explicou que, dentro do cruzeiro, a situação foi vivida com mais tranquilidade:
— Não era um clima de preocupação; a verdade é que, como depois não apareceram mais casos e todos começamos a nos cuidar… A vida continuou normalmente, e depois vimos que não havia mais contágios internos.
Passada a evacuação dos passageiros na Península Ibérica, uma viagem de aproximadamente cinco dias levará o navio até seu destino final nos Países Baixos. Lá, o governo do país e a empresa armadora ficarão responsáveis por todo o processo de desinfecção, segundo confirmou o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska.
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CDC
Ao chegar, o argentino deverá cumprir uma quarentena obrigatória antes de poder voltar a Buenos Aires.
— Deram-me a opção de desembarcar na Espanha ou na Holanda, e escolhi a Holanda. Viajo com mais 26 pessoas; holandeses, alguns alemães, um da Grécia e um do Japão. Aos holandeses permitem ir para casa, mantendo o isolamento, e os demais seremos acomodados em hotéis monitorados. Fazem exames de sangue e controles periódicos — detalhou.
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Enquanto apenas os espanhóis farão quarentena na Espanha, a companhia de cruzeiros Oceanwide Expeditions informou que Estados Unidos, Reino Unido e Holanda concordaram em enviar aviões para evacuar seus cidadãos. Os americanos a bordo serão colocados em quarentena em um centro médico em Nebraska.
Enquanto isso, 29 pessoas viajarão no voo fretado holandês, incluindo cidadãos holandeses e pessoas de outras nacionalidades; já cinco passageiros franceses foram repatriados neste domingo e permanecerão no hospital por 72 horas para monitoramento, após o que deverão cumprir quarentena em casa, explicou o Ministério francês das Relações Exteriores.
Os passageiros e membros da tripulação do Reino Unido serão hospitalizados para observação assim que forem transportados de avião para seu país; e a Austrália enviará uma aeronave que deve chegar nesta segunda-feira para evacuar seus cidadãos e os de países próximos, como a Nova Zelândia. O avião australiano será o último a deixar Tenerife.
