Passageira é indenizada em R$ 27 mil após sofrer queimaduras com chá quente em voo para Londres

 

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Uma passageira britânica foi indenizada em £4 mil, cerca de R$ 27 mil, após sofrer queimaduras de segundo grau durante um voo da Ryanair, neste mês de abril. O incidente ocorreu quando uma xícara de chá quente escorregou de uma bandeja considerada defeituosa, atingindo suas pernas.

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Devon Buffoni, de 31 anos, retornava de uma viagem à França, onde havia visitado um local para a realização de seu casamento. Moradora do leste de Londres, ela relatou que o acidente transformou o que seria o fim de férias tranquilas em uma experiência traumática. Em entrevista ao MyLondon, a passageira contou que estava sentada no assento do meio, ao lado do companheiro e do filho de 11 meses.

— Tentei segurar a xícara que estava escorregando, mas a tampa se soltou e o chá fervendo caiu no meu colo — afirmou.

Segundo Buffoni, o impacto foi imediato. Ela gritou de dor, o que fez o bebê começar a chorar. A passageira sustenta que a bandeja acoplada ao assento apresentava falhas e não oferecia segurança para o transporte de bebidas quentes.

Atendimento questionado

A britânica também criticou a atuação da tripulação, alegando falta de preparo para lidar com emergências médicas. De acordo com seu relato, os comissários demoraram a agir e ofereceram apenas uma garrafa de água para resfriar a área atingida.

Ela afirma ainda que o carrinho de bebidas não foi retirado para facilitar o atendimento e que havia escassez de materiais adequados no kit de primeiros socorros.

— Todo voo deveria ter curativos para queimaduras, mas não havia. O kit disponível tinha apenas um curativo pequeno — disse.

Ao pousar no aeroporto de Stansted, uma ambulância aguardava na pista. No entanto, Buffoni relatou que, inicialmente, o ferimento foi classificado como superficial. Segundo ela, as bolhas se agravaram pouco depois, já na área de retirada de bagagens.

Disputa com a companhia

A passageira afirma que tentou resolver a situação diretamente com a companhia aérea, mas enfrentou dificuldades. Segundo seu relato, a Ryanair demorou a responder e chegou a sugerir que ela própria teria causado o acidente.

— Se tivessem respondido rapidamente e pedido desculpas, a situação poderia ter sido diferente — afirmou.

Diante da falta de acordo, Buffoni buscou assistência jurídica. O advogado Paul Rimmer, que atuou no caso, afirmou que o episódio reflete uma “tendência preocupante” em voos de baixo custo, com disputas sobre responsabilidade em incidentes a bordo.

— Para ela, nunca se tratou de dinheiro, mas de reconhecimento — disse.

Após a negociação, a companhia aceitou pagar a indenização de £4 mil. Ainda assim, Buffoni afirma que segue lidando com as consequências físicas e emocionais do episódio.

Ela relata que as marcas das queimaduras afetaram sua autoestima, inclusive no dia do casamento, realizado um ano após o incidente.

— Levou muito tempo para melhorar. Poderia ter sido pior, e eu nem quero pensar no que teria acontecido se tivesse atingido meu filho — afirmou.