Páscoa: 4 tradições incomuns celebradas no mundo

 

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A Páscoa é vivida de maneiras tão diversas quanto surpreendentes ao redor do mundo. Em diferentes partes do planeta, essa data adota costumes que misturam história, religião e cultura popular, dando origem a cenas que podem parecer incomuns para quem não as conhece. De rituais que desafiam a lógica a celebrações carregadas de simbolismo local, uma jornada por quatro tradições que mostram um lado menos conhecido de uma das datas mais importantes do calendário.

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Aqui estão quatro países que vivenciam a Páscoa de forma bem diferente.

México

Neste país, os dias de Semana Santa são considerados uma oportunidade para se purificar do mal.

Várias localidades realizam a 'queima do Judas', uma tradição que consiste em fazer figuras representando Judas Iscariotes – o discípulo que, segundo os Evangelhos, traiu Jesus Cristo em troca de 30 moedas de prata – e depois queimá-las ou explodi-las com fogos de artifício. Isso faz com que os membros das figuras sejam espalhados pelas ruas e as crianças os recolham como souvenirs.

Por outro lado, na cidade de Iztapalapa é realizada uma das representações mais populares e elaboradas da Paixão de Cristo no mundo. Diego Hernández, um mexicano de 33 anos que vive na Argentina, explica que essa tradição existe há centenas de anos e tem um chamado de mais de cinco mil pessoas que representam ou reencarnam os personagens bíblicos.

— Originalmente é um festival asteca que era celebrado no passado na cidade e depois se fundiu com a representação das Estações da Via Sacra, tornando-se uma tradição quase obrigatória na região — diz ele.

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Grécia

Aqui, a Páscoa é um dos períodos festivos mais importantes do ano. Os gregos renunciam aos típicos ovos coloridos ou de chocolate e usam ovos vermelhos que têm valor simbólico.

— Esses ovos, que na maioria dos casos são de galinhas locais e não de chocolate, são cozidos e tingidos de vermelho para representar o sangue de Cristo e sua ressurreição — revela Joseph Johnson Afthonidis, ator e artista grego que vive em Nova York.

Ele também diz que as crianças aprendem um jogo chamado 'Torcer o ovo', no qual dois participantes se revezam para bater suavemente a ponta do ovo vermelho na base do ovo do oponente. O ovo que não se quebra é considerado o 'ovo da sorte', abençoando seu possuidor pelo resto do ano.

E na ilha de Corfu, o "arremesso de panelas" é realizado no Sábado Santo, que consiste em lançar panelas, frigideiras e outros elementos cerâmicos pelas janelas ou terraços. Há até aqueles que, antes de lançar os elementos, os enchem de água e os jogam para fora não só para bater no objeto, mas também molhar quem passa por baixo.

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Finlândia

De acordo com o site oficial do Ministério das Relações Exteriores da Finlândia, em seu país as crianças vestem roupas antigas coloridas e pintam sardas no rosto para ir de porta em porta, carregando galhos de salgueiro decorados com penas coloridas e papel crepom como símbolo de bênção para espantar espíritos malignos. Em troca dessas bênçãos, menores recebem petiscos.

Quando batem nas portas do bairro, os "pequenos feiticeiros" recitam um canto tradicional do país que diz: "Virvon, varvon, tuoreeks terveeks, tulevaks vuodeks; Vitsa Sulle, palkka mulle", que traduzido significa "Eu aceno este galho para um ano novo e saudável, um galho para você, um presente para mim!"

Austrália

Coelhos são um dos símbolos mais reconhecíveis da data. No entanto, na Austrália, a situação é diferente. Segundo a National Geographic, os coelhos causaram consideráveis danos ambientais neste país oceânico, sendo rotulados por alguns especialistas como um dos casos de mamíferos invasores que mais crescem na história.

Nesse contexto, em 1991, a organização Rabbit-Free Australia, comprometida em aumentar a conscientização e erradicar os milhares de coelhos selvagens na Austrália, iniciou uma campanha para substituir a figura icônica do coelhinho da Páscoa pelo 'bilbie da Páscoa'. O bilbie, um marsupial da família dos bandicut com orelhas longas, é nativo dos desertos australianos e tem semelhança física com coelhos.

Com o estabelecimento do bilbie como novo emblema da Páscoa na Austrália, empresas e lojas do país começaram a produzir chocolates, jogos e decorações inspirados nesse animal, adotando assim uma representação festiva mais alinhada com o ambiente australiano e seus desafios ambientais.