Parto induzido: o que é, quando é indicado, e como funciona o tipo de nascimento escolhido por Rafa Kalimann?
Rafa Kalimann revelou no documentário "Tempo Para Amar", disponível no Globoplay, que o nascimento de sua filha Zuza Helena, fruto do relacionamento com o cantor Nattan, em janeiro deste ano, foi de forma induzida, ou seja, quando o trabalho de parto é iniciado por intervenção médica ao invés de começar espontaneamente.
A escolha, segundo a artista, foi tomada quando a gestação se aproximava de 41 semanas por orientação médica. Outra razão também seria a agenda de compromissos do marido. A apresentadora queria que Nattan estivesse presente no momento do nascimento.
"Eu queria viver a experiência de sentir ela vindo no tempo dela, começar a sentir as contrações em casa, viver esse momento em casa, ir ao hospital, mas estamos chegando no limite físico para ela", afirmou no vídeo que detalha a ida ao hospital e o motivo pelo qual acabou optando pela indução.
O que é o parto induzido?
O parto induzido é uma intervenção médica que inicia o trabalho de parto quando ele não começa espontaneamente, usando medicamentos ou métodos para estimular as contrações e o amadurecimento do colo do útero.
Segundo a obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana Karina Belickas, o método é opção quando a mãe quer um parto normal e não tem contraindicação para isso, sempre respeitando a segurança tanto da gestante quanto do bebê.
— Colocamos uma mulher que deseja parto normal em trabalho de parto em um momento em que ela está sem contrações ou com contrações ineficientes. Esse processo pode ser estressante e cansativo para mãe e bebê, por isso é importante que ambos estejam saudáveis. A saúde dos dois em primeiro lugar — afirma a médica.
Quando a indução é indicada?
Gravidez pós-data: nos casos de gestação pós-data (acima de 40 semanas) — os casos precisam ser discutidos individualmente com o pré-natalista.
Ruptura da bolsa: se a bolsa rompe no final da gestação e o trabalho de parto não se inicia espontaneamente;
Baixo líquido (ou oligoâmnio): quando o líquido amniótico está reduzido e não aumenta mesmo com hidratação ou após retirada do fator que causou a redução.
Problemas de saúde da mãe: casos como infecção, hipertensão, diabetes podem indicar antecipação do parto, e a indução pode ser considerada se mãe e bebê estiverem bem.
Crescimento fetal inadequado: necessidade de antecipação do parto para garantir melhor suporte nutricional para o bebê.
Como funciona o parto induzido?
Antes de iniciar o parto induzido, o obstetra avalia a situação da mãe e do bebê, explica os métodos disponíveis e verifica o amadurecimento do colo do útero, assim como o bem-estar fetal.
A indução do parto é realizada no hospital, podendo combinar diferentes técnicas conforme a situação, sempre garantindo acompanhamento médico constante e segurança.
A indução depende de quão preparado está o colo do útero. Uma das estratégias utilizadas para preparar o útero, por exemplo, é o balão cervical, que é um método mecânico eficaz para amolecer e dilatar o colo do útero. Consiste em inserir esse balão no colo do útero e insuflá-lo, promovendo dilatação mecânica e o amadurecimento do colo. Pode permanecer por até 24 horas, mas frequentemente é expulso naturalmente quando o colo atinge de 3 a 5 centímetros de dilatação.
Após o uso, se o trabalho de parto não evoluir, a ocitocina intravenosa pode ser usada para estimular e fortalecer as contrações.
— Há também o uso de comprimidos, como as prostaglandinas, que é o método mais utilizado, e métodos naturais, como fitoterápicos, óleos vaginais e exercícios fisioterapêuticos. Digo isso porque tem muita gestante que não quer realizar o procedimento com medicamentos, mas muitos deles não têm comprovação de eficácia, então acaba que os remédios tradicionais que usamos no hospital têm um efeito mais rápido e eficaz — explica Belickas.
É mais dolorido do que o trabalho de parto normal?
A obstetra afirma que o procedimento de indução é mais prolongado do que o trabalho de parto normal, visto que há toda uma preparação. E o tempo até o parto depende do amadurecimento do colo do útero, da técnica utilizada e da forma como o corpo da mulher responde ao procedimento.
Em relação a dor, Belickas diz que depende da percepção da paciente, mas que o processo de contração pode ser mais forte, frequente e demorar mais para dilatar, o que acaba gerando mais desconforto para a gestante.
No caso de Rafa Kalimann, por exemplo, todo o trabalho de parto durou mais de 40 horas.
Cesárea X induzido
O tipo de parto vai depender da preferência da gestante. Ainda há muitas mulheres que preferem agendar uma data para o parto e realizar uma cesárea para ter o filho, embora a Organização Mundial de Saúde (OMS) e entidades médicas desaconselhem o procedimento sem indicação clínica. A diferença do parto induzido é a mãe querer realizar um parto normal.
Antigamente, esse tipo de opção era inexistente. Sendo a cesárea a única alternativa para realizar o parto da mulher quando o bebê já estava pronto para nascer, já havia passado das 39 semanas, mas ainda não havia começado o trabalho de parto realmente.
O parto por indução acabou se tornando uma opção para as gestantes (e médicos) que preferem uma data de nascimento de seus filhos por motivos pessoais.
— Tive um caso em que a gestante pediu para o bebê dela nascer dois dias antes porque a avó dela tinha que fazer uma operação de câncer e corria risco de morte. Ela queria que a avó pudesse pelo menos pegar a bebê no colo. E não está errado. Se nem ela ou a criança correm riscos, se ela não tem contraindicação e já está no tempo certo, não há motivo para não fazer — diz Belickas.
