247 – A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu, na avaliação de dirigentes de partidos de centro, uma oportunidade para reduzir a tensão política no país e buscar acordos no Congresso. Dois presidentes de legendas ouvidos pela coluna avaliam que iniciativas no sentido de um ajuste fiscal poderiam receber votos da centro-direita e até de parlamentares bolsonaristas.
Essa disposição se refere à aprovação de medidas específicas e não representa uma adesão desses grupos ao governo. O argumento apresentado pelos dirigentes é que Lula, sem a necessidade de disputar outra reeleição, teria condições de usar o capital político da vitória para adotar decisões “impopulares” no início da gestão.
Nessa estratégia, ações de maior aceitação popular ficariam para uma etapa posterior do mandato. A avaliação contrasta com as críticas desses interlocutores à condução adotada pelo petista após a eleição de 2022.
Na leitura relatada pelo Painel, Lula inverteu aquela sequência ao priorizar iniciativas populares, em vez de concentrar medidas de desgaste político no começo do governo. O relato não detalha quais propostas fiscais os dirigentes esperam que sejam apresentadas agora.
A composição ministerial também deve fazer parte da aproximação entre o presidente e o centro. De acordo com a coluna, Lula poderá voltar a ter no primeiro escalão representantes de partidos que apoiaram seu adversário na disputa presidencial.
União Brasil e PP, que chegaram a determinar a saída de filiados do governo, sinalizam que devem liberar a participação de integrantes em ministérios. MDB, PSD e Republicanos também devem permitir que seus quadros ocupem postos na administração federal.
A presença de representantes dessas siglas, entretanto, não deverá vir acompanhada de apoio institucional ao presidente. A perspectiva descrita pelo Painel é de participação no Executivo sem compromisso formal das legendas com o governo.
Ainda assim, a manutenção desses canais políticos pode ajudar Lula nas negociações com um Congresso em que a direita saiu fortalecida das eleições. A ocupação de ministérios por integrantes do centro tende a preservar interlocutores para a discussão de projetos e a construção de maiorias ao longo do quarto mandato.
Brasil 247