Partido de oposição pró-Rússia contesta resultado de eleição na Armênia e pede anulação do pleito

Partido de oposição pró-Rússia contesta resultado de eleição na Armênia e pede anulação do pleito

Fonte: Bandeira



Uma aliança de oposição da Armênia contestou, nesta sexta-feira, o resultado das eleições parlamentares realizadas no último domingo e pediu a anulação da votação, vencida pelo partido do primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinian. A legenda pró-Rússia Armênia Forte protocolou uma petição junto à Comissão Eleitoral Central do país alegando irregularidades no processo eleitoral, segundo informações da agência Reuters.

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O pedido foi apresentado após lideranças oposicionistas denunciarem supostas falhas na votação e uma série de medidas que, segundo elas, prejudicaram a campanha de seus candidatos. A aliança afirma que os resultados oficiais não refletem adequadamente a vontade dos eleitores.

Nas eleições de 7 de junho, o partido governista Contrato Civil, liderado por Pashinian, conquistou 49,8% dos votos. O resultado garantiu ampla vantagem sobre os principais grupos oposicionistas, em sua maioria alinhados à Rússia.

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A Armênia Forte, principal coalizão de oposição, recebeu 23,2% dos votos. Durante a campanha, o grupo defendeu políticas favoráveis ao setor privado e a manutenção das tradicionais relações econômicas e estratégicas entre a Armênia e a Rússia, principal fornecedora de energia para o país do sul do Cáucaso.

Por sua vez, a aliança Armênia, liderada pelo ex-presidente Robert Kocharian, recebeu 9,9% dos votos, e o partido Armênia Próspera, recebeu 4%. A participação eleitoral foi de 59%, segundo a Comissão Eleitoral Central.

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Desde que chegou ao poder em 2018, Pashinian vem tentando reduzir a dependência da Armênia em relação à Rússia e aprofundar as relações com os Estados Unidos e a União Europeia, movimento que gerou críticas de setores políticos favoráveis à manutenção da influência de Moscou no país.

A disputa eleitoral ganhou novos contornos na quinta-feira, quando a Comissão Eleitoral Central invalidou os votos registrados em duas seções eleitorais. Segundo relatos da imprensa local, a decisão foi tomada após a identificação de uma concentração incomum de militares nos locais de votação depois do encerramento das urnas.

A medida afetou diretamente o partido Armênia Próspera. Segundo a legenda, a anulação dos votos reduziu seu desempenho para abaixo dos 4% necessários para obter representação parlamentar.

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Além das contestações sobre a apuração, partidos de oposição denunciaram uma série de prisões realizadas antes da votação. Segundo os grupos, as ações tiveram como alvo candidatos e apoiadores da oposição.

O líder da Armênia Forte, o empresário russo-armênio Samvel Karapetian, classificou a eleição como "vergonhosa" e denunciou irregularidades e repressão contra sua campanha. O Comitê de Investigação da Armênia informou ter aberto 59 processos criminais por supostas violações eleitorais, incluindo casos de voto múltiplo, e anunciou a prisão de nove pessoas.

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Observadores internacionais que acompanharam o processo eleitoral reconheceram a existência de denúncias de compra de votos e outras possíveis violações das regras eleitorais. Ainda assim, afirmaram que a votação ocorreu de forma tranquila na maior parte dos locais visitados.

A Comissão Eleitoral Central deverá divulgar os resultados finais da eleição no próximo domingo.

Aproximação com o Ocidente

Após a divulgação dos resultados preliminares, Pashinian celebrou o que chamou de "vitória histórica" de seu partido e afirmou que o resultado garantirá "a eternidade e o desenvolvimento da Armênia". O premier prometeu manter o processo de aproximação com os países ocidentais, ao mesmo tempo em que buscará preservar as relações com Moscou.

O reposicionamento geopolítico da Armênia se intensificou nos últimos anos. Embora o país continue oficialmente aliado da Rússia, Pashinian passou a criticar Moscou após a derrota armênia para o Azerbaijão em 2020 e a retomada de Nagorno-Karabakh pelos azeris em 2023, episódio que provocou o deslocamento de dezenas de milhares de armênios.

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O governo armênio acusa a Rússia de não ter protegido adequadamente os interesses do país no conflito. Desde então, Erevan congelou sua participação em uma aliança regional liderada por Moscou e passou a aprofundar laços com Bruxelas e Washington, chegando a mencionar uma eventual adesão à UE.

A aproximação com o Ocidente foi elogiada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que afirmou que a UE está "ao lado da Armênia". O presidente francês, Emmanuel Macron, também manifestou apoio ao fortalecimento das relações entre Erevan e a Europa.

(Com AFP)