Parque eólico marítimo que Trump tentou parar opera a plena carga

Parque eólico marítimo que Trump tentou parar opera a plena carga - Foto
Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

A dinamarquesa Ørsted informou nesta quinta-feira, 5 de novembro, que o parque marítimo Revolution Wind, de 704 megawatts, passou a gerar até a plena capacidade em outubro, no mar entre Connecticut e Rhode Island. O empreendimento de US$ 6,2 bilhões é o terceiro parque eólico de escala comercial a operar integralmente nos Estados Unidos, depois de South Fork Wind, perto de Nova York, e Vineyard Wind, perto de Massachusetts.

A eletricidade vai para três distribuidoras da Nova Inglaterra, Rhode Island Energy, Eversource Energy e United Illuminating. Segundo a Ørsted, os 704 megawatts equivalem ao consumo de mais de 350 mil residências da região.

A marca saiu apesar de duas rodadas de ordens de paralisação do Departamento do Interior, pasta que concentra a política energética do governo Donald Trump. A última das 65 turbinas havia sido instalada em setembro.

A indústria eólica offshore americana encolheu sob ataque político desde janeiro de 2025. A BloombergNEF projetava 39 gigawatts instalados no país até 2035.

A projeção atual é de 5,9 gigawatts, patamar que reflete apenas os projetos já concluídos ou em obras no início do ano passado. Cada parque que entra em operação reduz o tamanho do buraco.

Projetos como Revolution Wind ajudam a segurar as contas de luz numa região onde a oferta de eletricidade fica apertada nos picos de consumo, e já aliviaram a rede em episódios de clima extremo neste ano. A Nova Inglaterra tem preços de eletricidade entre os mais altos do país e pouco espaço em terra firme para ampliar a geração.

A conta pesa justamente nos dias de frio intenso e nos verões de ar-condicionado ligado, quando o sistema opera no limite. A Ørsted, que havia cancelado empreendimentos nos Estados Unidos em 2023 sob pressão de custos e juros altos, sustentou o cronograma de Revolution Wind.

O parque começou a produzir energia em quantidade menor na primavera e chegou ao outono com a obra completa. Em agosto de 2025, o Departamento do Interior mandou parar a obra citando ameaças à segurança nacional que nunca especificou.

Um juiz federal derrubou a ordem um mês depois. No fim de dezembro, a pasta emitiu novas ordens de paralisação contra os cinco projetos então em construção.

Os juízes derrubaram uma a uma, não antes de os desenvolvedores perderem somas altas e quase estourarem prazos contratuais. Revolution Wind não saiu da mira.

Em outubro, o Departamento do Interior pediu a um tribunal federal autorização para reavaliar a aprovação que o próprio órgão deu em 2023 ao plano de construção e operação do parque. A solicitação não interrompeu as atividades e acrescentou incerteza a uma instalação que já está de pé.

A Ørsted também avança em Sunrise Wind, de 924 megawatts, no mar de Long Island, em Nova York. A empresa concluiu a instalação de todas as fundações das turbinas e prevê operação plena no segundo semestre do ano que vem.

A Ørsted afirmou que o parque amplia a oferta de energia acessível e confiável na Nova Inglaterra. Hillary Bright, diretora executiva do grupo de defesa Turn Forward, disse que o empreendimento entrega um reforço essencial de eletricidade em escala industrial a uma região sedenta por energia, diversifica a oferta e sustenta a confiabilidade do sistema por décadas.

Os três parques em operação já estão conectados e vendem eletricidade a distribuidoras locais sob contratos de longo prazo. O governo Trump já foi derrotado duas vezes na Justiça ao tentar travar estas obras, e o pedido para reabrir a licença ambiental virou o caminho que restou.

O plano de 39 gigawatts até 2035 está reduzido a 5,9. O governo conseguiu atrasar obras, encarecer projetos e encurtar a fila de novos parques.

Não conseguiu parar as turbinas que giram entre Connecticut e Rhode Island, e a decisão sobre reabrir a licença de Revolution Wind segue pendente num tribunal federal.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →