Paris Hilton adapta mansão ao TDAH e amplia debate sobre mulheres com o diagnóstico na vida adulta

 

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Paris Hilton transformou sua nova mansão em Los Angeles para atender às próprias necessidades cognitivas e, com isso, reforça a importância do autoconhecimento e da adaptação ambiental. Diagnosticada com TDAH na vida adulta, a empresária investiu em uma reforma que prioriza foco, organização e bem-estar, colocando em evidência um debate cada vez mais relevante sobre mulheres que se reconhecem na neurodivergência.

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A mudança vai além do luxo. Após perder a antiga residência em um incêndio, Paris adquiriu um novo imóvel e conduziu uma reforma pensada para favorecer sua concentração e facilitar a rotina diária. O projeto reflete seu entendimento sobre o próprio funcionamento cerebral, unindo estética, funcionalidade e conforto em cada detalhe.

Mais do que uma casa sofisticada, o espaço prioriza praticidade. Ambientes com estímulos visuais organizados, identificação clara de objetos e soluções que auxiliam a memória prática compõem a estratégia. Móveis que favorecem a mobilidade e o movimento completam o conceito, já que se mexer ao longo do dia ajuda a manter a atenção e a concentração.

Ao falar abertamente sobre o transtorno, Paris Hilton contribui para mudar a percepção sobre TDAH, ultrapassando o universo das celebridades. Para a psiquiatra Thaíssa Pandolfi, especialista em neurodivergência feminina, TDAH, autismo, superdotação e altas habilidades associadas à alta sensibilidade, a exposição pública tem impacto direto na forma como mulheres adultas passam a interpretar a própria trajetória.

"Muitas cresceram ouvindo que eram desorganizadas, sensíveis demais ou distraídas. Quando compreendem que existe uma base neurobiológica para esse funcionamento, há um alívio imediato. Um alinhamento de identidade acontece", afirma a médica.

Segundo Dra. Thaíssa, o diagnóstico tardio é frequente entre mulheres porque, desde cedo, elas aprendem a se adaptar socialmente. "A camuflagem exige esforço constante. Isso gera exaustão, ansiedade e sensação de inadequação. O diagnóstico não é uma sentença, é uma ferramenta de organização. Ele permite criar estratégias compatíveis com o próprio cérebro", explica.

No consultório, a psiquiatra observa com frequência a associação entre TDAH, autismo, altas habilidades e alta sensibilidade. "É comum encontrarmos mulheres com pensamento acelerado, hiperfoco criativo e grande profundidade emocional. Quando essas características são compreendidas, deixam de ser vistas como falhas e passam a ser diferenciais", destaca.

No Brasil, relatos públicos de Letícia Sabatella, Sabrina Sato e Tatá Werneck também aumentaram a visibilidade do TDAH em mulheres, levando algumas a buscar avaliação após anos sem diagnóstico. Ao reorganizar a casa segundo o próprio funcionamento cognitivo, Paris Hilton evidencia um ponto central: inclusão envolve considerar necessidades mentais específicas. A iniciativa dialoga com discussões sobre carreira, liderança e saúde mental, ao mostrar como adaptações pessoais podem impactar o bem-estar e a rotina.