Parentes de Soleimani são presas pelo ICE após ostentarem vida de luxo nos EUA enquanto exaltavam o regime iraniano; entenda
Os Estados Unidos confirmaram a prisão de duas mulheres identificadas como parentes do falecido general iraniano Qassem Soleimani, em um caso que reacendeu as tensões com Teerã, nesta semana. São elas Hamideh Soleimani Afshar, apontada como sobrinha do ex-comandante da Força Quds, e sua filha, sobrinha-neta do general.
Comandante da Marinha, porta-voz e ministro da Defesa: Israel amplia lista de mais de 30 líderes iranianos assassinados durante a guerra; saiba quem são
Afshar, de 47 anos, morava em Los Angeles e mantinha presença ativa nas redes sociais, onde, segundo o Departamento de Estado, divulgava conteúdo alinhado à narrativa oficial de Teerã. As autoridades americanas afirmam que ela não apenas reproduzia mensagens do regime iraniano, como também as ampliava com comentários próprios, celebrando ataques contra soldados e bases dos EUA no Oriente Médio e se referindo ao país como o “Grande Satã”.
Entre as postagens citadas por Washington estão mensagens nas quais ela elogiava as capacidades militares do Irã contra os Estados Unidos, compartilhava conteúdos sobre divisões internas na política americana no contexto do conflito e endossava ameaças contra iranianos exilados considerados “traidores”.
Em uma das publicações, comemorou a possibilidade de o regime receber “reparações de guerra”, enquanto, em outra, defendeu medidas punitivas contra opositores. Também divulgou conteúdo de forte carga simbólica, como imagens e charges contra figuras da oposição iraniana no exterior — incluindo o exilado Reza Pahlavi — retratando-os como aliados de potências estrangeiras.
Em outras postagens, amplificou anúncios relacionados à liderança iraniana, incluindo referências à ascensão de Mojtaba Khamenei, acompanhando essas mensagens com conteúdo de cunho religioso e nacionalista.
O contraste entre sua retórica e seu estilo de vida foi outro ponto destacado pelas autoridades americanas. Segundo o Departamento de Estado, Afshar exibia nas redes sociais uma vida luxuosa nos Estados Unidos, com imagens usando roupas de grife, joias e frequentando ambientes sofisticados — incluindo viagens de helicóptero e consumo de bebidas premium —, argumento usado por Washington para apontar um suposto “duplo padrão”.
Encomenda direta de Marco Rubio
Ambas as mulheres foram presas por agentes federais em solo americano após o secretário de Estado, Marco Rubio, ordenar a revogação de suas autorizações de residência permanente. Elas permanecem sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), aguardando deportação.
Rubio foi enfático ao justificar a medida. Em publicação nas redes sociais, afirmou que Afshar “celebrou ataques contra americanos” e chamou os EUA de “Grande Satã”, expressão historicamente associada à liderança iraniana. O político também criticou o “estilo de vida luxuoso” que, segundo ele, ambas mantinham em cidades como Los Angeles enquanto defendiam o governo iraniano.
Confira:
Initial plugin text
“Esta semana revogamos o status legal de Afshar e de sua filha; ambas estão agora sob custódia do ICE, aguardando deportação dos Estados Unidos”, escreveu Rubio, acrescentando que o governo Trump não permitirá que o país seja “um refúgio para estrangeiros que apoiam regimes terroristas anti-americanos”.
O Departamento de Estado, no entanto, não informou se há acusações criminais formais contra as detidas, o que reforça a avaliação de que se trata de uma medida de natureza imigratória, e não judicial.
Como ocorreu a prisão
Segundo a versão oficial, a prisão ocorreu na noite de sexta-feira, imediatamente após a revogação dos chamados “green cards”. Agentes federais localizaram as duas mulheres e efetuaram a detenção sem incidentes.
Afshar entrou nos Estados Unidos em 2015 com visto de turista. Posteriormente, obteve asilo em 2019 e residência permanente em 2021, status revogado na semana passada por decisão direta do Departamento de Estado.
Sua filha, Sarinasadat Hosseiny, também ingressou no país em 2015, com visto de estudante, e recebeu residência permanente em 2023.
As autoridades informaram ainda que o marido de Afshar foi proibido de entrar nos Estados Unidos, ampliando o alcance das sanções administrativas.
Resposta do Irã
Em Teerã, a reação foi imediata. Veículos da mídia estatal e agências ligadas ao governo negaram qualquer vínculo das mulheres com a família de Qassem Soleimani.
Zeinab Soleimani, filha do líder militar, declarou que “as pessoas presas nos Estados Unidos não têm nenhuma ligação com o mártir Soleimani” e classificou como falsas as alegações do Departamento de Estado.
Narjes Soleimani, outra filha do general e integrante do Conselho Municipal de Teerã, afirmou que nenhum parente direto do militar viveu em território americano.
O precedente Larijani
O episódio ocorre em meio ao aumento da pressão sobre cidadãos iranianos com conexões políticas relevantes. Dias antes, o governo dos EUA adotou medidas semelhantes contra parentes de Ali Larijani, figura influente do establishment iraniano.
Na ocasião, o status imigratório de Fatemeh Ardeshir-Larijani — filha do ex-funcionário — e de seu marido foi revogado, além da proibição de retorno ao país.
A decisão foi interpretada como parte de uma estratégia mais ampla de endurecimento contra indivíduos ligados, direta ou indiretamente, à liderança iraniana.
Larijani, ex-chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, havia morrido recentemente em um ataque aéreo durante a escalada da tensão regional, o que adicionou ainda mais sensibilidade política ao caso.
