A Agility Robotics, empresa de robótica humanoide e inteligência artificial física, lançou o robô Digit 5, projetado para trabalho cooperativo seguro em larga escala.
Segundo a companhia, ele é capaz de lidar com tarefas pesadas em armazéns, turno após turno, suprindo a necessidade de mão de obra em trabalhos fisicamente desgastantes ou monótonos demais para os humanos. Apesar disso, o Digit 5 é totalmente diferente do que Jonathan Hurst, cofundador da Agility, imaginou. As exigências dos clientes, de segurança e bateria, impuseram mudanças.
“O robô é pesado e volumoso, não possui a fluidez e a naturalidade dos movimentos de seus antecessores e está muito aquém do robô que eu sonhava construir quando fundei esta empresa”, relatou em artigo publicado no IEEE Spectrum. “Para entregar um produto comercialmente viável, a Agility trilhou um caminho bem diferente do que eu havia imaginado inicialmente.” O executivo acrescentou que seu objetivo sempre foi construir robôs que combinem locomoção e manipulação para se moverem pelo mundo e interagirem com ele como as pessoas. Contudo, inicialmente, ele não levou em conta as necessidades reais dos clientes. Quando fundou a Agility junto com Damion Shelton e Mikhail Jones, seu produto inicial foi o robô bípede Cassie, capaz de manter o equilíbrio por meio de movimentos ativos e fluidos, em vez de passos cuidadosos e rígidos. A partir dele veio o Digit 1, o primeiro robô de manipulação móvel da empresa, com torso e pernas. Depois surgiram Digit 2, 3 e 4 - todos testados por empresas, como a Ford e a Amazon.
Evolução: versões 1, 2 e 3 [da esquerda para a direita] do Digit Divulgação Mais tarde foi o lançado o Digit 4 EVT, com baterias maiores e atualizações em todo o sistema para segurança e conformidade regulatória. E, agora veio o 5, criado totalmente do zero. “Apesar do aparente sucesso da Digit, começamos a enfrentar conflitos entre o meu sonho e as necessidades dos clientes reais. Não estávamos mais trabalhando com laboratórios de pesquisa universitários relativamente pacientes. A Agility precisa vender robôs para sobreviver, e os clientes só compram robôs que agregam valor”, salientou Hurst no artigo. De acordo com ele, o novo robô será o primeiro passo concreto da Agility rumo a um robô de uso geral. “Ele marca nossa transição da idealização de como um futuro robô humanoide deveria ser para o desenvolvimento de um produto que atenda às realidades das implantações dos clientes”, apontou. E continuou: “As necessidades dos clientes nos ajudaram a perceber que a segurança, em particular, era uma das barreiras mais críticas para a escalabilidade. Nas implantações comerciais da Digit 4, os robôs tinham que trabalhar atrás de barreiras físicas, separados de humanos o tempo todo, para atender às exigências de seguros e regulamentações… Como manter os robôs em gaiolas de segurança limitava severamente sua utilidade, permitir que a Digit 5 operasse com segurança perto de pessoas tornou-se um objetivo primordial do projeto”. A nova arquitetura de segurança do robô permite que ele trabalhe próximo a pessoas. Para isso, a Agility lista que ele conta com: - Detecção humana segura: Utiliza algoritmos de IA proprietários e múltiplas tecnologias de sensores para monitorar continuamente a presença de pessoas e tomar as medidas apropriadas, evitando, parando ou assumindo uma posição sentada de forma autônoma. - Sinais de segurança: Utiliza sinais visuais e auditivos para transmitir a intenção do movimento e alertar as pessoas próximas, permitindo sua participação na operação segura. - Controle de movimento seguro: Um controlador de segurança independente supervisiona a resposta do Digit à detecção de pessoas a uma distância insegura e aciona instantaneamente as respostas de segurança apropriadas.
“A possibilidade de coexistência com humanos influenciou quase todos os aspectos do design do Digit 5: o formato das pernas e do corpo, os sensores com classificação de segurança dentro de invólucros protetores, os computadores isolados dedicados à segurança e muito mais. Todos esses recursos aumentam a complexidade, o consumo de energia, a massa e o tamanho físico do robô”, observou Hurst. Por questões de segurança, quando o Digit detectar a aproximação de uma pessoa, pode descer até o chão e desligar seus motores Divulgação O humanoide, de 129 kg e 1,81 m de altura, atinge os limites de levantamento recomendados pelas diretrizes do Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional dos EUA para trabalhadores humanos, que incluem levantar repetidamente caixas de 23 kg e alcançar prateleiras a 1,75 metros de altura.
“O Digit foi projetado para realizar tarefas como essas por 20 horas por dia — algo que nenhum humano consegue fazer. Isso exige motores com potência e torque suficientes para levantar a carga, mas também precisão suficiente para controlar delicadamente a força que aplica ao entrar em contato com o ambiente”, indicou o cofundador da Agility. Para alimentar esses motores, o robô conta com uma bateria grande e uma base para carregamento autônomo rápido. A bateria e o sistema de refrigeração ocupam cerca de 75% do seu torso e, como garante a empresa, permitirão que o Digit opere por 90 minutos e recarregue completamente durante um intervalo de 9 minutos. “Todo esse volume extra significa que o Digit 5 não consegue mais correr ou pular como as gerações anteriores, e a forma esbelta que eu imaginei se tornou fisicamente impossível. De certa forma, o Digit 5 parece mais uma empilhadeira do que o gracioso humanoide que eu pretendia construir. Mas, analisando a situação racionalmente, acredito que essa compensação é necessária para qualquer empresa que afirme que seu humanoide pode realizar esse tipo de trabalho hoje em dia: se você vir um robô com aparência humana trabalhando em uma fábrica ou armazém, ou ele não consegue levantar o peso necessário ou não aguenta o turno inteiro. E se não estiver coberto de sensores, provavelmente não é seguro ficar perto dele”, enfatizou Hurst. O novo robô é montado na RoboFab, a fábrica de 6.500 metros quadrados da Agility em Salem, no Oregon, projetada para produzir até 10.000 robôs Digit por ano.
Além dos Estados Unidos e do Canadá, a empresa planeja, pela primeira vez, disponibilizar o robô para implantação comercial fora da América do Norte, começando pela União Europeia e Reino Unido.
“Acredito que o Digit 5 será o momento decisivo para a Agility Robotics, o ponto de inflexão em que poderemos começar a implantar robôs em grande escala”, afirmou o cofundador da companhia. “Ele será uma plataforma para melhorias, uma fonte de dados para treinamento comportamental futuro e um produto viável, tudo ao mesmo tempo.” Mais Lidas
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