Parcela de brasileiros em escolas que proíbem celular mais que dobra e alcança 81%, mostra Pisa

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Fonte da notícia: Valor Valor

A proibição do uso de celulares nas escolas avançou no Brasil nos últimos anos e alcançou 81% dos estudantes em 2025, segundo o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), divulgado nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A avaliação também aponta uma relação entre distração digital e pior desempenho em ciências. O Pisa apontou que o percentual mais que dobrou em relação a 2022, quando 37% dos estudantes brasileiros frequentavam escolas que proibiam o uso de celulares. O resultado também ficou bem acima da média de 49% registrada entre os países e economias da OCDE. O avanço ocorre após a entrada em vigor da Lei nº 15.100, sancionada em janeiro de 2025, que restringiu o uso de celulares por estudantes nas escolas de educação básica. A legislação ainda permite o uso dos aparelhos para fins pedagógicos. O Pisa avalia os conhecimentos, as habilidades e as atitudes de estudantes de 15 anos. A investigação é realizada por meio de testes cognitivos que medem a capacidade dos alunos de resolver problemas complexos, pensar criticamente e se comunicar de forma eficaz. No ano passado, mais de 30 mil estudantes brasileiros realizaram a avaliação. Segundo a OCDE, estudantes que frequentam escolas onde o uso de celulares é proibido têm cerca de 13% menos probabilidade de sofrer distrações digitais. No Brasil, 25% dos estudantes afirmam que seus colegas se distraem frequentemente com dispositivos digitais durante a maioria ou todas as aulas de Ciências. Na média da OCDE, esse percentual é de 28%. A pesquisa também mostra uma associação entre a distração digital e o desempenho. Nos países da OCDE, os estudantes que relataram distrações digitais nas aulas de ciências tiveram, em média, 11 pontos a menos na disciplina do que aqueles que não relataram esse tipo de distração. No Brasil, a diferença chega a 19 pontos. Segundo o programa, os estudantes brasileiros passam, em média, 1,3 hora por dia usando dispositivos digitais na escola para atividades de aprendizagem, abaixo da média de 1,7 hora registrada entre os países da OCDE. Por outro lado, os brasileiros relatam dedicar, em média, 1 hora por dia ao uso desses dispositivos para atividades de lazer dentro da escola. Neste ano, a avaliação mediu também a resolução de problemas computacionais, que avaliou habilidades de programação visual ou em blocos e de modelagem computacional. O Brasil obteve 406 pontos na categoria, ficando 94 pontos abaixo da média da OCDE, de 500 pontos.

Uso de IA Ainda segundo o Pisa, 48% dos estudantes brasileiros relatam utilizar, pelo menos uma vez por semana, chatbots de inteligência artificial (IA) para ajudá-los a aprender. O percentual está acima da média da OCDE, de 46%.

Os estudantes também utilizam a IA com frequência para realizar pesquisas preliminares sobre um novo tema (40%), resumir um texto que precisam ler (31%) e elaborar um rascunho de texto para trabalhos escritos (27%). Apenas 11% dos estudantes relataram nunca ou quase nunca utilizar chatbots de IA em nenhuma das atividades escolares.

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