Paralisação na Monte Cristo afeta cerca de 15 mil usuários do transporte público em Belém

 

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Cerca de 15 mil usuários do transporte público foram afetados pela paralisação dos trabalhadores da empresa Monte Cristo, registrada na manhã desta quarta-feira (29), em Belém. O protesto, que já é o segundo em menos de 30 dias, teve adesão total dos funcionários, segundo o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Belém (Sintrabel).


De acordo com o diretor financeiro do sindicato, Marinaldo Campos, a paralisação começou ainda nas primeiras horas do dia. “A paralisação aqui na Monte Cristo começou a partir das 4 horas da manhã e, por enquanto, está sem previsão de retorno. Os trabalhadores resolveram cruzar os braços pela falta de pagamento de salários e pelo descumprimento de acordos firmados com a empresa”, afirmou.


Ele destacou que a categoria já havia suspendido as atividades recentemente, mas aceitou uma proposta apresentada pela empresa, que previa um cronograma de pagamentos. “Há menos de 30 dias nós paralisamos a empresa. Os trabalhadores aceitaram a proposta, que era de um cronograma para começar a pagar, mas isso não foi cumprido”, disse.


Segundo Marinaldo, a situação enfrentada pelos rodoviários é crítica. “Tem trabalhador com dois meses sem receber salário, além de problemas no ticket alimentação. São 12 meses de dificuldades acumuladas. Os trabalhadores não aguentam mais”, declarou.


A paralisação atinge toda a frota da empresa. “Aqui são 21 carros que operam mais de oito linhas, e nenhum saiu hoje. A adesão foi total, 100% de paralisação”, reforçou. Ao todo, cerca de 198 trabalhadores estão diretamente envolvidos no movimento.


Com a suspensão das atividades, aproximadamente 15 mil passageiros deixaram de ser atendidos. “Essas linhas atendem bairros como Pedreira e outras áreas de Belém. A gente sabe que a população sofre, porque o transporte já é escasso e, com a paralisação, fica ainda pior”, lamentou o dirigente.


O sindicato afirma que está aberto ao diálogo e aguarda um posicionamento da empresa. “Nós estamos aqui para negociar. Não fomos procurados ainda, mas, a partir do momento em que a empresa pagar os trabalhadores, com certeza os ônibus voltam a rodar”, garantiu.


Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel) informou que acompanha a paralisação e reforçou que o sistema enfrenta dificuldades financeiras, como o aumento nos custos operacionais e a defasagem da tarifa. A entidade também destacou que a solução para o problema exige a participação do poder público, operadores e sociedade, e defendeu o diálogo para a normalização do serviço.