Pará registrou mais de 12 mil óbitos por infarto, insuficiência cardíaca e AVC, em 2025
Problemas de saúde com pressão arterial e o sistema circulatório são silenciosos, comuns e muitas vezes negligenciados. A hipertensão arterial segue como um dos principais gatilhos para duas das doenças que mais matam no país: infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Somente no Estado do Pará foram registrados, em 2025, o total de 12.466 mortes, sendo 6.796 óbitos por infarto, 3.738 por AVC e 1.932 por insuficiência cardíaca, de acordo com dados do Datasus, do Ministério da Saúde.
Em 2025, o Brasil registrou 177.810 mortes por infarto e 104.363 mil por AVC, segundo levantamento da Organização Nacional de Acreditação (ONA), com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Os dados incluem diferentes tipos de eventos cardiovasculares e reforçam o tamanho do problema: foram ainda 64.133 óbitos por insuficiência cardíaca. No total 346.306 morreram por infarto, AVC e insuficiência cardíaca em todo o território nacional.
Pesquisadores já apontam que os números ainda estão em consolidação, os números já indicam a continuidade do cenário preocupante para 2026. A hipertensão é considerada uma doença silenciosa justamente porque, na maioria dos casos, não apresenta sintomas. É um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares no mundo, como infarto e AVC.
“Ela pode causar lesões progressivas nos órgãos-alvo, como coração e cérebro, mesmo antes do surgimento de sintomas. Infelizmente, muitos pacientes desconhecem que são hipertensos e acabam recebendo o diagnóstico apenas após um evento mais grave”, alerta o cardiologista e membro da ONA, doutor Paulo Meirelles.
O especialista ressalta, no entanto, que a hipertensão arterial é considerada um fator de risco modificável. “Quando identificada precocemente e devidamente acompanhada, é possível reduzir de forma significativa o risco de complicações ao longo do tempo, mas não deve ser subestimada justamente por seu caráter silencioso”, complementa.
A identificação precoce é uma das estratégias mais importantes para prevenir eventos cardiovasculares graves e reduzir mortes evitáveis. “Quando o paciente descobre a hipertensão tardiamente, muitas vezes já existe algum grau de comprometimento cardiovascular. Por isso, o diagnóstico precoce faz toda a diferença”.
URGÊNCIA - Alguns sinais de alerta exigem atenção imediata para atendimento de emergência. Dentre os sintomas estão: alteração no equilíbrio e coordenação; dificuldade para falar ou compreender; alteração na visão; dor de cabeça súbita e intensa; e fraqueza ou paralisia em um lado do corpo. “Diante de qualquer um desses sintomas, não se deve esperar. O tempo de resposta é determinante para evitar sequelas e até a morte”, reforça o cardiologista.
Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) destaca a escala de Cincinatti utilizada como uma ferramenta de reconhecimento precoce. Meirelles indica que é possível identificar um AVC para atendimento urgente. “É importante sempre pedir para a pessoa sorrir, levantar os braços e falar. Qualquer sintoma novo como assimetria na face durante um sorriso, perda de força em um dos braços ou fala enrolada, o indivíduo deverá procurar atendimento de urgência”, alerta o doutor.
HIPERTENSÃO - As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, atualizadas em 2025 por sociedades médicas (Cardiologia, Hipertensão e Nefrologia), reforçam que níveis de pressão arterial acima de 120 por 80 mmHg já são associadas ao aumento do risco cardiovascular, inclusive em indivíduos aparentemente saudáveis.
O AVC está diretamente associado a fatores como envelhecimento, hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo, estresse, colesterol elevado e histórico familiar. Pessoas acima de 55 anos têm maior risco, especialmente quando acumulam essas condições. “É uma soma de fatores. A hipertensão, sozinha, já é um risco importante, mas quando combinada com outros hábitos e doenças, o perigo aumenta exponencialmente”, destaca Paulo Meirelles.
FALHAS NO ATENDIMENTO - Apesar de ser uma condição tratável, o AVC ainda enfrenta falhas importantes no cuidado em saúde e muitas delas evitáveis. Na fase inicial, é comum a dificuldade em reconhecer os sinais ou até a sua subestimação, além da confusão com outras condições, como enxaqueca ou vertigem. Também há atrasos na realização de exames essenciais, como a tomografia, o que compromete decisões rápidas.
Durante o atendimento, um dos principais problemas é a perda do tempo ideal para uso de medicamentos que dissolvem o coágulo, além do controle inadequado da pressão arterial e da falta de encaminhamento para procedimentos que podem retirar o coágulo do vaso, quando indicados. “Cada minuto perdido no AVC significa perda de função cerebral. Quando o atendimento falha, o impacto pode ser irreversível”, alerta o cardiologista.
Na internação, persistem falhas como erros de medicação, monitoramento insuficiente e problemas na comunicação entre equipes, além da prevenção inadequada de complicações, como pneumonia e trombose. Após a alta, a ausência de um plano estruturado de reabilitação e a investigação incompleta da causa do AVC aumentam significativamente o risco de novos episódios.
INFARTO - Nos casos dos infartos os primeiros sinais não podem ser ignorados. Os principais sintomas de infarto incluem dor ou pressão no peito — que pode irradiar para braço, mandíbula ou costas — além de falta de ar, suor frio, náuseas e tontura. Em alguns casos, os sinais podem ser confundidos com problemas digestivos, o que atrasa a busca por atendimento.
Entre as falhas mais comuns estão o atraso no atendimento, problemas no uso de medicamentos, diagnóstico tardio e falta de continuidade do cuidado após a alta hospitalar. Esses fatores impactam diretamente a evolução do paciente e aumentam o risco de complicações e morte.
Tipos de AVC - Existem dois tipos principais de AVC:
Isquêmico: causado pela obstrução de uma artéria, impedindo a chegada de oxigênio ao cérebro (cerca de 85% dos casos)
Hemorrágico: ocorre quando há rompimento de um vaso cerebral, com sangramento (mais grave e com maior risco de morte)
