Pará realiza mais de 400 transplantes em 2025, possibilitando autonomia e saúde aos pacientes

 

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A doação de órgãos é um gesto de compaixão e solidariedade: a partir de doações de uma única pessoa, é possível salvar até 8 vidas. Em 2024, o Pará realizou 634 transplantes, sendo 516 de córnea, 54 de rim (falecido), 08 de rim (intervivo), 12 de fígado, 28 de medula óssea, 10 de tecido osteomuscular, e 06 de esclera. Já em 2025, foram 464 transplantes, sendo 340 de córnea, 59 de rim (falecido), 05 de rim (intervivo), 16 de fígado, 37 de medula óssea, 05 de tecido osteomuscular, e 02 de esclera.


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Em 2026, de janeiro até abril, foram realizados 06 procedimentos de transplante de fígado. A Sespa informa ainda que atualmente no Pará, o procedimento de transplante de fígado é realizado somente com doador falecido. A Central Estadual de Transplantes (CET), vinculada à Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), atua para ampliar o número de doações e a quantidade de transplantes realizados no Pará. 


Segundo a CET, para ser doador de órgãos, basta expressar o desejo em vida e ter a sua vontade respeitada pela família, o que auxilia no aumento do número de pacientes beneficiados com a doação de órgãos. Não há necessidade de registro em nenhum documento oficial.


A assistente social Ana Gabriela Mesquita Alves, de 43 anos. (Foto: Divulgação)


A assistente social Ana Gabriela Mesquita Alves, de 43 anos, solteira, moradora de Belém, foi a primeira paciente beneficiada com transplante de fígado pelo Serviço de Transplante da Fundação Santa Casa, há 3 anos, em fevereiro de 2023. Diagnosticada com hepatite autoimune, que progrediu para cirrose hepática, o transplante era a única saída para Ana Gabriela, já que, como ela mesma diz, “minha vida passou a ser só hospital, casa, hospital, UTI, casa”. 


Por conta do diagnóstico, parou de trabalhar e deixou de pintar quadros, arte da qual tanto gostava. Tudo precisou ficar de lado por causa das comorbidades geradas pela doença. Ela contou que chegou a ser inscrita na fila de transplante de fígado em Fortaleza, para onde viajou diversas vezes. Parou de ir depois da pandemia de covid-19 e foi orientada pelo médico Rafael Garcia, responsável técnico do Serviço de Transplante de Fígado da Santa Casa, a esperar em Belém porque a Santa Casa já ia começar a fazer esse tipo de transplante.


Com 53 quilos e bastante debilitada, após duas semanas internada, foi chamada para fazer o transplante na Santa Casa, que foi realizado no dia 26 de fevereiro de 2023. “O meu novo fígado veio de Ponta Porã (MS), doado por uma jovem. Depois da cirurgia, fiquei três dias na UTI e depois fui para o quarto, onde permaneci internada por mais dez dias até receber alta”, relembra.


Ana Gabriela contou que a adaptação foi difícil nos primeiros três meses, porque sentia muitas dores na área da cirurgia e não podia manter contato com outras pessoas devido à baixa resistência. Após esse período, sua vida começou a voltar ao normal. 


“Agora, eu levo a minha vida como antes, claro que tem alguns cuidados que preciso ter, como não ficar em local com muita gente, porque sou imunossuprimida devido aos remédios que preciso tomar a vida toda. Já trabalho, estudo, vou para a academia, faço caminhadas, viajo. Minha vida voltou ao normal completamente”, comemora Ana Gabriela.


Para ela, o transplante é um procedimento que depende da solidariedade de outras pessoas. “Não precisa só dos médicos e da estrutura hospitalar, necessita principalmente da solidariedade de uma outra pessoa. Então, as pessoas têm que entender a importância da doação de órgãos, porque é algo que salva vidas. Eu tinha pouco tempo de vida, eu estava muito debilitada, e se não fosse a solidariedade, o amor, a compaixão dos pais da minha doadora, num momento de muita dor, eu não teria sobrevivido”, declara.


Ana Gabriela conta que viveu a vida normalmente por um período e nunca imaginou que um dia fosse precisar de um órgão para sobreviver. “Pode ser criança, idoso, jovem, qualquer pessoa, um dia, pode precisar, então, é importante que todos se conscientizem disso. É tão simples, só dizer para a família que aceita doar os seus órgãos, e a família acreditar que os órgãos do seu ente querido vão continuar vivos dentro de uma outra pessoa”, afirma.


Ela elogiou a implantação do Serviço de Transplante de Fígado da Santa Casa porque há três anos nenhum paraense precisa mais sair do Estado para fazer transplante de fígado. “O que falta agora é mais divulgação para que haja mais doação de órgãos, porque muitas pessoas ainda têm medo de pensar nisso e as famílias ainda não têm informação suficiente sobre como ocorre esse processo. A estrutura já está montada aguardando a solidariedade das famílias”, finaliza.