Na semana passada, o jornal Financial Times qualificou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de “Houdini de Israel” ao analisar o quadro eleitoral resultante da votação de terça-feira. Em parte a comparação é acertada.
Harry Houdini foi o genial mágico, ilusionista e prestidigitador da virada do século XX que fascinou multidões globais com sua arte de se desvencilhar de correntes e cadeados múltiplos, cofres submersos, amarras sufocantes. Bibi Netanyahu, por sua vez, conseguiu emergir das urnas pronto para lutar pelo poder que já ocupa há quase duas décadas (seis mandatos em três períodos distintos).
Aos 77 anos, sua sobrevida política pôs um freio à recente lufada de vento democrático que brotou nas ruas — e reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil, derrotou o regime autoritário de Aleksandar Vucic na Sérvia e pretende dar uma sova em Donald Trump nas eleições de meio de mandato desta terça-feira, 3 de novembro.
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O Globo