Pará impulsiona mineração e reforça superávit do Brasil no início de 2026
A indústria mineral brasileira manteve desempenho robusto no primeiro trimestre de 2026, com impacto direto no saldo da balança comercial e forte protagonismo do Pará. No período, o setor respondeu por US$ 9,29 bilhões do superávit nacional, aproximadamente 66% do total de US$ 14,17 bilhões, enquanto o estado paraense consolidou sua posição como um dos principais motores dessa expansão. Os dados estão no último levantamento do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), divulgados em 15 de abril deste ano.
O Pará registrou faturamento de R$ 27,4 bilhões, com crescimento de 12% na comparação anual, desempenho bem acima da média nacional do setor, que avançou 6% e alcançou R$ 77,9 bilhões. O resultado coloca o estado como o segundo maior polo mineral do país, atrás apenas de Minas Gerais (R$ 29,9 bilhões), mas com ritmo de crescimento significativamente superior. Outros estados aparecem mais distantes, como Bahia (R$ 4,3 bilhões), Goiás (R$ 2,7 bilhões), Mato Grosso (R$ 2,6 bilhões) e São Paulo (R$ 2,5 bilhões).
Além do faturamento, o Pará também se destaca na arrecadação de royalties minerais. Foram R$ 790 milhões em Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) no trimestre, segundo maior valor do país, atrás apenas de Minas Gerais (R$ 876 milhões). O desempenho reforça o peso do estado tanto na geração de receitas públicas quanto na sustentação da atividade mineral em nível nacional.
No cenário de investimentos, o protagonismo paraense se mantém. A previsão é de US$ 14,6 bilhões em aportes até 2030, o equivalente a 19,1% da carteira nacional do setor, estimada em US$ 76,9 bilhões, a maior da série histórica. O estado fica novamente atrás apenas de Minas Gerais (US$ 19,6 bilhões), à frente de Bahia (US$ 11,6 bilhões) e Ceará (US$ 5,4 bilhões), consolidando-se como um dos principais destinos de capital na mineração brasileira.
O bom momento do Pará acompanha o avanço de commodities estratégicas no mercado internacional. O ouro e o cobre puxaram o crescimento do setor, com altas de 45% e 28% no faturamento, respectivamente, enquanto as exportações minerais brasileiras cresceram 21,5%, somando US$ 11,4 bilhões. A China segue como principal destino, absorvendo 66% do volume exportado.
Com forte presença na produção de minério de ferro, principal item da pauta mineral, responsável por 53,9% das exportações, o Pará amplia sua relevância na balança comercial e na geração de divisas. O desempenho reforça o papel do estado não apenas como polo produtivo, mas como peça-chave na sustentação do superávit brasileiro e na dinâmica econômica do país.
Cenário
O levantamento do IBRAM evidencia o peso estratégico da mineração na balança comercial brasileira, sustentando mais da metade do superávit no início de 2026. O desempenho é impulsionado, sobretudo, pelo avanço das exportações, que cresceram em valor acima do volume embarcado, indicando melhora nos preços internacionais de commodities minerais. Ao mesmo tempo, o aumento das importações em ritmo mais acelerado revela maior demanda interna por insumos industriais, em um cenário de retomada econômica e expansão de cadeias produtivas dependentes do setor extrativo.
No campo institucional, o ambiente regulatório e legislativo surge como fator de incerteza para o setor. A possível votação do substitutivo ao Projeto de Lei (PL) 3025/2023, criticado por entidades da mineração, ocorre em meio a debates mais amplos sobre governança e competitividade, especialmente no combate ao ouro ilegal. Paralelamente, propostas de criação de uma estatal para exploração de minerais críticos dividem opiniões no Congresso e no mercado, enquanto especialistas apontam que desafios históricos, como acesso a financiamento, gargalos logísticos e insegurança jurídica, seguem como entraves centrais para ampliar a participação brasileira em segmentos estratégicos, como o de terras raras.
