Para evitar morrer no

Para evitar morrer no 'moedor de carne' da guerra na Ucrânia, casal de russos foge de caiaque pelo Mar Negro

Fonte: Bandeira da fonte

Alisa e Sergei Sadovnikov se apaixonaram quando estavam combatendo em 2023 na Ucrânia.
Os russos pensavam que estavam fazendo a coisa certa ao participar do conflito na ex-república soviética.
Sergei chegou a participar do Grupo Wagner, milícia de mercenários que era leal a Vladimir Putin e que tentou um golpe.
Mas quando Sergei, médico transformado em combatente, foi enviado para a linha de frente, ele percebeu que ambos eram apenas "corpos descartáveis" a serviço de Moscou.
O relatou foi feito por Alisa à Radio Free Europe (RFE).
Sergei ficou abismado com a tática de "moedor de carne", com a qual Moscou lançava ondas de homens para a morte a fim de desgastar as defesas ucranianas, segundo ele diz testemunhado.
O russo chegou a ser ferido em combate.
"Tudo ficou claro para mim.
Começaram a tirar auxiliares do meu grupo e a enviá-los para missões de assalto.
Bem diante dos meus olhos, a cerca de 100 metros de distância, duas companhias inteiras foram dizimadas", recordou ele.
Diante de tanto horror, Sergei e Alisa decidiram desertar.
Já casados, eles passarem meses vivendo "como ratos", fugindo das forças de Putin.
Alisa e Sergei Sadovnikov
Reprodução
Então, o casal comprou um caiaque como parte de um plano de fuga definitiva, mirando a Espanha como destino final.
O casal teve de se desfazer de todo o metal do caiaque e de uma vela improvisada para tentar evitar os radares russos.
"O vento soprava contra nós e as ondas eram violentas.
Gastávamos toda a nossa energia apenas tentando permanecer no mesmo lugar", contou Alisa.
Nos três últimos dias no Mar Negro, Alisa e Sergei já não tinham mais comida.
Ele chegaram à Turquia, mas, após zarparem pelo Mar Egeu, acabaram interceptados pela Guarda Costeira grega.
O barco grego os entregou às forças turcas em Aydin, onde teriam sido presos e agredidos.
Os Sadovnikov correm agora o risco de serem deportados para a Rússia, onde enfrentariam até 10 anos de prisão por deserção, segundo a Tvyordy Znak, uma organização que ajuda desertores russos a escapar e se estabelecer no exterior.