André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual, afirmou nesta segunda-feira (31) que o ciclo eleitoral abre oportunidades para deixar legados em duas frentes: na institucionalidade e no controle da dívida pública.
Na visão de Esteves, há uma “oportunidade de ouro para levar o país a juros civilizados”.
A taxa Selic, que está em 14%, poderia estar em 7%, segundo ele.
“O crescimento da dívida está muito alto, muito forte, muito rápido”, disse, na abertura do BTG Macro Day, evento promovido pelo banco.
O banqueiro afirmou que a economia brasileira está “arrumada” em vários aspectos.
Citou, como exemplos, o déficit em conta corrente, a inflação e o desemprego “quase nulo”.
No entanto, disse, a trajetória da dívida pública é um item que está “fora de lugar” e isso, por sua vez, impede que os juros caiam, criando um ambiente “muito hostil” para todos os setores, para o empreendedorismo e para os bancos.
Para Esteves, o país precisa encarar esse tema e é institucional, não ideológico.
“A boa notícia é que é possível e relativamente simples.”
Reduzir a trajetória da dívida pública, de acordo com o banqueiro, acarretaria um grande benefício para a sociedade, principalmente para a base da pirâmide.
“Equivale a 30 programas sociais”, afirmou.
Em relação à institucionalidade, segundo o banqueiro, o país teve ganhos importantes no último ano.
“A gente viveu ao longo dos últimos 12 meses batalhas importantes contra a não institucionalidade, e ainda bem para o Brasil que a sociedade mostrou que tem anticorpos e os anticorpos funcionaram, e acho que a instituições prevaleceram e o Brasil deu passos importantes em direção à institucionalidade”, disse, sem detalhar a que estava se referindo especificamente.
“A batalha foi vencida, mas a guerra continua por aí.”
Esteves afirmou que a maneira como o crime organizado continua se infiltrando nas instituições e o crescimento de empresas informais em mercados regulados ainda surpreendem.
Para o banqueiro, o Brasil está no caminho certo, mas o próximo governo deve defender a força das instituições, fator que gera crescimento.
André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual
Tuane Fernandes/Bloomberg
