Para elas, tudo!

 

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A inclusão de mulheres na indústria não é uma ação a ser conjugada no futuro, porque a existência delas nesses espaços é uma realidade no presente. O debate agora se concentra em como ampliar, de forma efetiva e acolhedora, a atuação dessas profissionais, abrindo caminhos para que mais mulheres ingressem no setor e avancem a posições de liderança. Esse foi o foco da mesa Firjan Sesi: Mulheres na Indústria, que abriu o Ela Inspira 2026.

O encontro reuniu Carla Pinheiro, presidente do Sindijoias e líder do Conselho Empresarial Mulheres da Firjan; Eliane Damasceno, gerente de Responsabilidade Social da Firjan; e contou com a participação de Gabriella Nascimento, colaboradora da área de Manutenção Elétrica da Michelin e estudante de Engenharia de Software. A mediação foi da editora assistente Joana Dale.

Carla Pinheiro Presidente do Sindijoias e líder do Conselho Empresarial Mulheres da Firjan

Marco Sobral

“De 2020 para cá, houve um aumento de 70% da presença feminina na Indústria. É algo significativo, mas ainda somos somente 22,3% do total da força de trabalho”, destacou Carla, citando a Pesquisa Firjan de Diversidade, Equidade e Inclusão na Indústria Fluminense, publicada em março deste ano. Para ela, o desafio agora é ampliar a presença feminina na liderança, especialmente em um ambiente que ainda pode ser inóspito: “A mulher da indústria é capacitada, mas muitas vezes vai fazer outra coisa porque não consegue ter suas ideias validadas. Quando há mais mulheres em cargos de liderança, as empresas percebem os benefícios para o negócio”.

Um exemplo de como demos passos importantes, mas que ainda há muito terreno fértil a ser trabalhado, é o fato de algumas pessoas ainda acreditarem que engravidar pode prejudicar o crescimento profissional de uma mulher.. Eliane Damasceno revelou ficar em choque por ainda ouvir esse tipo de questionamento — mas disse aproveitar esses momentos para desmistificar o assunto.

Eliane Damasceno, gerente de Responsabilidade Social da Firjan

Fábio Cordeiro

“Durante o período de licença-maternidade, o valor pago pela empresa é abatido das contribuições ao INSS. Então não há um ‘prejuízo’ por parte do empregador. O que explico é: ‘você realmente vai perder a oportunidade de ter uma excelente profissional?’.”

A trajetória de Gabriella Nascimento, que aos 38 anos trocou a pedagogia pela área elétrica, ilustra o impacto de ambientes mais inclusivos.

“Tive um momento de insegurança, mas o que me fez não desistir foi justamente o motivo pelo qual eu comecei: meus filhos. Se eu pudesse falar diretamente com outras mulheres, eu diria: ‘Esse lugar também é seu’. Eu também comecei sem experiência e cheia de dúvidas, mas, mesmo assim, dei o primeiro passo. A indústria está mudando, está se abrindo e cada vez mais precisa da gente. Vá, porque, quando uma mulher avança, ela não avança sozinha. Ela abre o caminho para muitas outras”, motivou a jovem.