Pará é autorizado a cultivar algodão com sementes geneticamente modificadas
O Pará obteve autorização para o cultivo de algodão com sementes geneticamente modificadas. A liberação foi concedida pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão responsável por avaliar a segurança de organismos geneticamente modificados no país, vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária e informada pela Federação de Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) aos produtores rurais.
De acordo com a Faepa, a decisão permite que produtores paraenses utilizem sementes transgênicas de algodão, tecnologia já amplamente utilizada em outras regiões do Brasil. A medida representa um marco importante para o desenvolvimento da cotonicultura no território estadual.
Desde 2023, o Pará enfrentava restrições que limitavam o avanço dessa cadeia produtiva. Com a autorização da CTNBio, abre-se o caminho para a produção e a competitividade da agricultura paraense.
A Federação de Agricultura e Pecuária do Pará afirma que o cultivo do algodão tem grande potencial para impulsionar a economia rural, gerar empregos e estimular novos investimentos no campo. “A utilização de sementes geneticamente modificadas possibilita maior resistência a pragas e doenças, especialmente ao “bicudo do algodoeiro, inseto que historicamente causou grandes prejuízos à cultura e dificultou a expansão da lavoura em diferentes regiões do estado e representa, também, um avanço tecnológico que pode ser abraçado pelos produtores locais”, diz o presidente do Sistema Faepa/Senar, Carlos Xavier.
O avanço tecnológico também representa ganhos de produtividade e eficiência para os produtores rurais, permitindo a adoção de cultivares mais adaptadas às condições locais. “Destacamos a importante parceria com a Embrapa, por meio do pesquisador Walkymário Lemos, chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, que teve atuação decisiva na defesa técnica da liberação da tecnologia para o estado. O trabalho dele contribuiu para demonstrar, junto às instâncias científicas e regulatórias, a viabilidade e a segurança do cultivo do algodão transgênico no Pará”, afirma o presidente da Faepa.
A Faepa também considera que a conquista também é resultado de um amplo processo de articulação institucional, conduzido pela federação junto ao setor produtivo e a órgãos públicos. Para a entidade, “a decisão da CTNBio é uma vitória do diálogo técnico, da ciência e da cooperação entre instituições de pesquisa, produtores rurais e entidades representativas do agronegócio paraense”.
A medida passará a ter validade após publicação no Diário Oficial da União, o que permitirá que produtores comecem a planejar o cultivo da cultura nas próximas safras. Para a Faepa, a autorização inicia uma nova etapa para a agricultura estadual, por otimizar a inserção da nova cultura no sistema de plantio direto. Segundo a Faepa, é possível cultivar o algodão transgênico, sem a necessidade de abrir novas áreas.
