Para além de Ludmilla e Felipe Amorim, por que cantores insistem no 'marketing de hate'?
Ao buscar Ludmilla para o single “Pecados como eu”, Felipe Amorim encontrou nela todo o gingado e o jeito divertido que queria para a música sobre luxúria. Mas na hora de divulgar a parceria, em que cantam sobre flerte e pegação, o forrozeiro provocou outro pecado capital: a ira. Ele disse que a cantora foi a pior parceira profissional que já teve. Era para ser só uma brincadeirinha no intuito de trazer atenção para o lançamento. Esta é uma estratégia chamada de “marketing de hate (ódio)”. Mas, desta vez, nem a funkeira envolvida gostou da ideia.
— As pessoas, naturalmente, ficam mais interessadas quando alguém está se separando, brigando ou gerando um conflito do que quando tem harmonia. Isso é perceptível ao enxergar o comportamento humano pelo ponto de vista de atratividade. O digital é alimentado pela influência, e o lado negativo é sempre maior — diz Roberto Kanter, professor da FGV especialista em marketing.
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Ludmilla reclamou publicamente: “A campanha que fizeram foi superinfeliz, não foi alinhada comigo nem com a minha equipe. O combinado foi outro. Eu não curti”. Felipe Amorim correu para se desculpar: “Ludmilla e eu já nos entendemos aqui, temos admiração um pelo outro. O nosso foco agora é a parceria. Página virada. Desculpe qualquer mal-entendido e vamos falar de música, é isso que amamos”.
Ludmilla e Felipe Amorim lançaram uma música, mas estratégia de marketing causou racha entre artistas
Reprodução/Instagram
A diva pop voltou a lamentar como esse tipo de estratégia é “pesada demais” para ela, já que há anos precisa lidar com “níveis estratosféricos de ataque” nas redes sociais. A polêmica não acabou ofuscando o motivo principal, que era a música?
— Andy Warhol falava de 15 minutos de fama, hoje estamos falando de 15 segundos. Então, é preciso alavancar o máximo a presença digital e, infelizmente, os estudos mostram que polêmicas de ódio são mais efetivas do que amor — analisa Kanter, que reforça a culpa do algoritmo (o responsável por entregar o que você vê nas redes sociais): — Ele vai tentar conhecer seu ponto de vista e vai lhe mandar o que tem aderência, seja você a favor ou contra. Existe esse lado perverso das redes.
Felipe Amorim, que no Instagram tem três milhões de seguidores, segue divulgando a música nas próprias redes sociais com fotos e vídeos gravados com Ludmilla previamente. Já a cantora, que tem 31 milhões de fãs só no Instagram, sequer repostou.
Outros casos de marketing de hate
A velha Anitta
Antes de atingir a fase “paz e amor” prestes a ser vista na era “Equilibrium”, Anitta esteve envolvida em algumas estratégias de marketing de hate. Com MC Rebecca, por exemplo, elas trocaram indiretas nas redes sociais e deixaram de se seguir, em 2021. Quando fãs notaram, elas divulgaram a música: “Tô preocupada (Calma, amiga)”.
Divulgação da música "Tô Preocupada (Calma Amiga)"
Divulgação
Com Alok, a Poderosa e o DJ ficaram “se alfinetando” sobre quem era o mais ouvido nas redes sociais. No fim, era tudo estratégia para lançar “Looking for love”. No clipe, ambos aparecem numa esteira em busca do sucesso em que cada hora um fica na frente.
Anitta e Alok em clipe de 'Looking for love'
Divulgação/Bravin
Melody e a briga com o ídolo
Melody fez escola com Anitta. Ela cresceu provocando a carioca em entrevistas e nas redes sociais, até para impulsionar os próprios hits. Foi assim quando fez uma versão em português, “Fake amor”, de um dos lançamentos do ídolo, “Faking love”, mas a música foi derrubada das plataformas por ser considerada plágio.
Melody e Anitta no "Ensaios da Anitta", em Fortaleza
Reprodução/Instagram
Em compensação, o barulho ajudou Anitta a olhar com mais atenção para o trabalho que Melody vinha fazendo. A novata gravou, posteriormente, uma versão oficialmente em português de outro hit da Poderosa, “Mil vezes”.
Vai separar ou não vai?
Duplas sertanejas também abusam do recurso. Simone e Simaria fingiram que iriam desfazer a parceria (anos antes de o fato realmente acontecer) para depois mostrarem que o bafafá era para atrair os holofotes para o lançamento de uma música. Matheus e Kauan fizeram o mesmo no fim de 2025 ao anunciarem que não teria um "próximo capítulo" na história da dupla. Depois, confirmaram que era tudo brincadeirinha. "A galera inventou os rumores e a gente pegou onda", disse Matheus.
Matheus e Kauan estiveram no "Conversa com Bial"
Reprodução/TV Globo
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