A forma como pais e mães dividem responsabilidades dentro das famílias vem passando por transformações importantes.
Se antes o cuidado com os filhos era associado principalmente às mulheres e o sustento financeiro aos homens, hoje essas fronteiras estão cada vez menos definidas.
Ambos enfrentam o desafio de conciliar carreira, estabilidade financeira e presença na rotina familiar, ainda que algumas pressões continuem aparecendo de maneira diferente para homens e mulheres.
Entre os pais, uma delas é o receio de perder o emprego.
Levantamento realizado pelo Infojobs mostra que para 38,09% dos pais, o desemprego é hoje a maior preocupação relacionada à vida profissional, superando temas como crescimento na carreira, desenvolvimento profissional e relacionamento com gestores.
O dado ajuda a mostrar que, mesmo diante de uma paternidade mais participativa, a expectativa relacionada à estabilidade financeira continua presente entre muitos homens.
Isso não significa, porém, que a preocupação com renda ou carreira seja exclusivamente masculina.
Para mães e pais, manter o equilíbrio entre trabalho, cuidado e segurança financeira faz parte de uma realidade cada vez mais compartilhada dentro das famílias.
Para Patricia Suzuki, diretora de Recursos Humanos da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, compreender essas diferentes pressões é importante para ampliar a discussão sobre saúde mental e parentalidade no ambiente corporativo.
"Quando falamos sobre desemprego, normalmente o foco está na recuperação de fontes de receita e recolocação profissional.
Mas existe também uma dimensão emocional importante.
Entre muitos pais, ainda há uma associação entre a responsabilidade familiar e a capacidade de honrar com os compromissos financeiros.
Ao mesmo tempo, sabemos que mães também convivem com pressões relacionadas à carreira, à renda e à presença na criação dos filhos.
O desafio é entender como essas cobranças se manifestam de formas diferentes."
A própria pesquisa mostra que os homens desejam exercer uma paternidade mais presente.
Em outros recortes do levantamento, a maioria dos entrevistados afirma que a chegada dos filhos trouxe impactos positivos para a carreira e para o bem-estar, além de demonstrar interesse por jornadas mais flexíveis e maior participação na rotina familiar.
Esse movimento aproxima cada vez mais as experiências de pais e mães no mercado de trabalho.
Os dois grupos precisam lidar com reuniões, entregas, desenvolvimento profissional e inseguranças relacionadas à carreira ao mesmo tempo em que acompanham escola, saúde, organização da casa e diferentes demandas dos filhos.
Segundo Patricia, o que muda muitas vezes é a forma como essas responsabilidades são percebidas e cobradas socialmente.
"Pais e mães querem construir uma relação mais presente com os filhos sem abrir mão do trabalho.
Para muitas mulheres, essa conciliação já faz parte de uma discussão histórica sobre carreira e maternidade.
Entre os homens, a participação mais ativa na criação dos filhos começa a ganhar mais espaço, mas continua convivendo com uma expectativa forte em relação à estabilidade financeira.
São experiências que se aproximam, mas que também têm particularidades."
Na avaliação da executiva, esse cenário reforça a necessidade de políticas corporativas que considerem a parentalidade de forma mais ampla, sem concentrar iniciativas apenas nas mães ou partir do pressuposto de que os pais têm como principal responsabilidade apenas o sustento da família.
"Quando uma empresa entende que cuidado e responsabilidade familiar dizem respeito a homens e mulheres, ela contribui para relações mais equilibradas dentro e fora do trabalho.
Flexibilidade, apoio à parentalidade e uma cultura que permita que mães e pais participem da rotina dos filhos são medidas que ajudam a reduzir pressões e tornam o ambiente profissional mais sustentável para todos."
Para Patricia, discutir as preocupações específicas dos pais não significa reforçar o modelo tradicional de família, mas entender como papéis históricos continuam influenciando a experiência profissional enquanto novas formas de exercer a maternidade e a paternidade ganham espaço.
"Estamos vivendo uma transição.
As mães seguem buscando condições para desenvolver a carreira sem que a maternidade represente uma penalização profissional, enquanto os pais querem ocupar mais espaço no cuidado sem deixar de sentir a responsabilidade pela segurança financeira.
As empresas precisam acompanhar essa mudança e criar condições para que parentalidade e carreira possam coexistir de maneira mais equilibrada", finaliza a executiva.
Para 38% dos pais, o desemprego é a maior preocupação profissional
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