‘Papagaios’, premiado em Gramado, é conto sombrio sobre o desejo de se tornar famoso a qualquer custo
Era uma vez em Curicica: “Papagaios” toma emprestada a paisagem popular da Zona Oeste do Rio para ambientar a incrível e traiçoeira história da dupla Tunico (Gero Camilo) e Beto (Ruan Aguiar). É um conto sombrio, com pitadas de ironia, erotismo e violência, em torno de uma febre do nosso tempo, o desejo de “aparecer” e se tornar famoso a qualquer custo. No filme, o fenômeno — hoje alimentado sobretudo pelas redes sociais — ainda está atrelado à televisão, em abordagem “vintage” que o torna mais divertido.
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Tunico é um “papagaio de pirata” que caça oportunidades de estar ao fundo das imagens em reportagens de TV. Membro mais notório de um pequeno grupo especializado nessas aparições, ele chama a atenção de Beto, jovem solitário com o qual estabelece uma relação simbiótica que parece inicialmente ser boa para ambos. Com o tempo, que progride no filme de acordo com quatro capítulos, outros personagens entram em cena — destaque para a participação de Leo Jaime — e o jogo entre os protagonistas adquire novos contornos.
Vencedor dos prêmios de ator (Camilo), direção de arte, som e de melhor filme segundo o público no Festival de Gramado de 2025, “Papagaios” faz da simplicidade e da concisão os seus trunfos, sem cair nas armadilhas da pretensão e do didatismo. O diretor e roteirista Douglas Soares (que codirigiu, com Allan Ribeiro, “Esse amor que nos consome”) aproveita bem o elenco, e os dois atores principais compõem personagens que flertam com a caricatura mas não sucumbem a ela.
Cotação: Bonequinho aplaude.
