Papa Leão XIV diz estar 'mais próximo do que nunca do povo libanês' e fala em 'obrigação moral' de proteger civis da guerra

 

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O Papa Leão XIV expressou, neste domingo (dia 12), sua proximidade com o povo libanês, afirmando haver uma "obrigação moral" de protegê-lo e apelando às partes em conflito para que busquem a paz. O país foi arrastado para a guerra no Oriente Médio no mês passado, em meio às operações militares de Israel contra o movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã.

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As autoridades libanesas relataram mais de 2.000 mortos em ataques israelenses no conflito, com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fazendo um apelo especial à proteção das crianças e adolescentes do país.

— Estou mais próximo do que nunca, nestes dias de tristeza, medo e esperança inabalável em Deus, do amado povo libanês — disse o Papa à multidão na Praça de São Pedro após a oração do Regina Coeli, acrescentando: — O princípio da humanidade, inscrito na consciência de cada pessoa e reconhecido pelo direito internacional, implica a obrigação moral de proteger a população civil dos efeitos atrozes da guerra.

Como já fez no passado, sem citar nomes, o Papa americano apelou às partes envolvidas para que busquem uma solução pacífica.

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Ainda assim, a declaração foi feita em meio à uma polêmica envolvendo o presidente dos EUA, Donald Trump, e o Pontífice. Uma informação afirmava que um alto funcionário do Pentágono teria repreendido a ao representante diplomático da Santa Sé nos EUA por comentários considerados críticos ao republicano, o que foi negado pelo Vaticano.

Israel aproveitou a guerra iniciada, ao lado dos EUA, contra o Irã para continuar seus ataques no Líbano, que, afirma, miram o Hezbollah. Teerã, que financia o movimento xiita libanês, incluiu em suas reivindicações para um acordo o fim da guerra entre Israel e Hezbollah, o que foi recusado por Tel Aviv.

O Líbano não foi incluído no acordo de cessar-fogo entre Irã e EUA. Mas, na quinta-feira (9), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que ordenou a abertura de negociações diretas com o Líbano para discutir o "desarmamento do Hezbollah e o estabelecimento de relações pacíficas" entre os dois países, mas sem cessar os ataques contra o país.

Outro front da guerra regional

Os comentários do pontífice de 70 anos foram feitos em meio ao fracasso das negociações, sediadas no Paquistão, entre Irã e Estados Unidos para pôr fim à guerra no Oriente Médio. As partes não chegara a um acordo, e o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o bloqueio da entrada e saída "de todos os navios" no Estreito de Ormuz, rota por onde passam 20% de todo petróleo e gás mundial.

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No sábado, durante uma oração pela paz, o discreto Leão XVI fez uma de suas críticas mais contundentes à guerra, implorando aos líderes que cessem a violência.

— Parem! É hora de paz! Sentem-se à mesa do diálogo e da mediação, não à mesa onde se planeja o rearme e se decidem ações mortais! Basta da idolatria do ego e do dinheiro! Basta da demonstração de poder! Basta da guerra! — declarou.

O líder dos 1,4 bilhão de católicos do mundo tem reiteradamente pedido a redução da escalada na atual guerra entre EUA e Israel contra o Irã e a necessidade de uma solução diplomática.

Na segunda-feira, o Papa segue para a Argélia para o início de uma viagem de 11 dias pela África, onde levará uma mensagem de construção de pontes com o mundo islâmico.