Papa Leão XIV critica ameaça de Donald Trump de destruir a civilização do Irã
Papa Leão XIV, que tem se posicionado contra a guerra no Oriente Médio, que tem escalado, criticou as ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que 'uma civilização inteira vai morrer esta noite' caso o Irã não chegue a um acordo. A República Islâmica foi atacada pela primeira vez em 28 de fevereiro pelos EUA e por Israel. Desde então, os três países estão em confronto, que tem se expandido para os países vizinhos do Oriente Médio.
Trump ameaça Irã e diz que 'uma civilização inteira vai morrer esta noite' caso República Islâmica não chegue a acordo com os EUA
Ultimato: Irã diz na ONU que ameaças de Trump incitam crimes de guerra e genocídio e que tomará 'medidas recíprocas'
“Hoje, como todos sabemos, houve essa ameaça contra todo o povo do Irã. Isso é verdadeiramente inaceitável”, disse o Papa Leão XIV, à imprensa internacional, como a agência AP.
O Pontífice acrescentou que quaisquer ataques à infraestrutura civil violam o direito internacional. Trump ameaçou o país persa de que atacaria alvos civis em seu território, incluindo pontes, infraestrutura do setor elétrico, entre outros.
Papa Leão XIV pediu que norte-americanos e outras pessoas de boa vontade a contatarem seus líderes políticos e representantes no Congresso para exigir que rejeitem a guerra e trabalhem pela paz.
As declarações foram dadas à imprensa nesta terça-feira (7) foram dadas quando ele deixava sua casa de campo em Castel Gandolfo, ao sul de Roma, poucas horas antes do prazo final de Trump para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz.
A escalada da ameaça de Donald Trump foi feita nesta terça-feira (7) horas antes do fim do ultimato dado ao Irã, que se encerra às 21h (em Brasília). Além de exigir a reabertura do Estreito de Ormuz, o governo dos EUA quer o acordo de cessar-fogo imediato na região, negado pelo Irã. O país persa fez sua proposta, elencando suas exigências, entre elas, o fim da guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel há pouco mais de um mês, e não apenas um cessar-fogo.
Essa nova ameaça ocorre em um momento em que autoridades políticas, incluindo aliadas dos EUA, e especialistas em direito internacional expressam temores de que as ações americanas configurem crimes de guerra, e enquanto novos ataques atingem o território iraniano.
Embora o prazo anunciado pelo presidente não tenha se esgotado, parte dos ataques lançados contra o Irã nesta terça-feira parecem cumprir parte do que havia sido antecipado. O Exército de Israel, que atua em coordenação com os militares americanos, anunciou ter destruído oito pontes em diferentes partes do território iraniano — confirmando relatos que já vinham sendo veiculados pela imprensa da nação persa. Horas antes, os militares israelenses haviam emitido um alerta para que a população do país inimigo não utilizasse a rede ferroviária, antecipando possíveis ataques à infraestrutura civil. Os EUA, por sua vez, atacaram a Ilha Kharg, infraestrutura vital para o escoamento de petróleo da indústria iraniana. Autoridades disseram que os alvos eram militares.
O embaixador do Irã na Organização das Nações Unidas (ONU), Amir-Saeid Iravani, falou que as ameaças feitas por pelo presidente Donald Trump na manhã desta terça-feira “constituem incitação a crimes de guerra e potencial genocídio” e que Teerã irá tomar "medidas recíprocas imediatas e proporcionais” se os Estados Unidos lançarem os ataques devastadores prometidos.
