Papa faz apelo para que a Europa proteja migrantes em visita à Lampedusa, importante centro de imigração

Papa faz apelo para que a Europa proteja migrantes em visita à Lampedusa, importante centro de imigração

Fonte: Bandeira



O Papa Leão XIV pressionou a Europa, neste sábado (4), para que faça mais para proteger e integrar os migrantes.

A fala foi durante sua visita à ilha italiana de Lampedusa, um importante porto de escala para aqueles que arriscam a perigosa travessia da África.

Sua viagem à linha de frente da migração foi uma mensagem contundente tanto para os líderes da União Europeia quanto para os dos Estados Unidos, em um período de crescente intolerância e indiferença.

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O primeiro papa católico dos EUA, que entrou em conflito com o governo do presidente Donald Trump sobre o tratamento dado aos migrantes, escolheu celebrar o dia 4 de julho, o 250º aniversário da independência dos EUA, em um dos principais destinos de migrantes.

O papa Leão XIV atravessa o arco do monumento Porta da Europa, criado pelo artista italiano Mimmo Paladino

Tiziana FABI / AFP

A visita de Leão ocorre também apenas duas semanas após a aprovação, pela União Europeia, de novas regras para migrantes que permitem poderes de detenção muito mais amplos e a criação de centros de deportação fora do bloco.

— Deste canto remoto da Europa, no Mar Mediterrâneo, pode-se perceber com mais clareza o enorme desafio que o fenômeno da migração representa para as sociedades europeias — disse Leo à multidão de fiéis.

— Mas a Europa é capaz de lidar com a crise nesta região de forma abrangente, integrando os esforços de ajuda imediata num plano estratégico a longo prazo capaz de acolher, proteger, apoiar e integrar os migrantes.

Deveria fazê-lo "ao mesmo tempo que auxilia os países em desenvolvimento, para que ninguém seja forçado a emigrar", acrescentou.

O Papa rezando nos túmulos sem identificação das vítimas do naufrágio em Lampedusa

Ciro FUSCO / POOL / AFP

O pontífice de 70 anos começou sua visita rezando nos túmulos sem identificação das vítimas do naufrágio.

Ele então ficou sozinho na costa rochosa da ilha, fustigado pelo vento enquanto olhava para o mar, onde inúmeras embarcações de migrantes se perderam nas ondas na fronteira entre a África e a Europa.

Leão conversou com uma família de migrantes, antes de pegar as crianças pela mão e ficar ao lado da mãe grávida junto à "Porta da Europa", um monumento dedicado às pessoas que arriscam tudo em busca de uma vida melhor.

O Papa com a família de migrantes na Porta da Europa

Tiziana FABI / AFP

Solidariedade

Lampedusa fica a 145 quilômetros da costa da Tunísia e já acolheu milhares de migrantes, além de seus mortos.

O Papa agradeceu à comunidade de pescadores e turistas, composta por 6 mil pessoas, "pela solidariedade que muitos de vocês demonstraram".

Ele também prestou homenagem àqueles que morreram durante a travessia, dizendo:

— Sentimos a presença deles, que nos desafia tanto quanto a daqueles que desembarcaram precisando de atenção e ajuda.

Papa Leão XIV em Lampedusa

Tiziana FABI / AFP

Em 2013, mais de 360 ​​pessoas morreram no pior naufrágio da ilha, e dezenas mais se afogaram nos anos seguintes.

O Papa também visitou o cais onde as pessoas resgatadas no mar são levadas para um local seguro e abençoou uma placa dedicada ao Papa Francisco, que escolheu Lampedusa para sua primeira viagem após sua eleição em 2013.

A presença de Leão "envia uma mensagem clara num momento em que o debate político global sobre migração é frequentemente enquadrado em torno de fronteiras e dissuasão, em vez de proteção e responsabilidade compartilhada", disse Filippo Ungaro, porta-voz da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), à AFP.

Papa Leão XIV em Lampedusa

Tiziana FABI / AFP

O Papa já se manifestou anteriormente contra medidas para reprimir a imigração ilegal e classificou o tratamento dado aos imigrantes pelo governo dos EUA como "desumano".

Em um discurso proferido na sexta-feira para marcar o 250º aniversário dos Estados Unidos, Leão pediu "moderação" no discurso público americano e falou sobre como "ondas sucessivas de imigrantes" moldaram o futuro do país.

Homenagem ao Papa Leão XIV em Lampedusa

Tiziana FABI / AFP

Rota mais mortal do mundo

A travessia do Mediterrâneo central a partir do norte da África é a rota migratória mais mortal do mundo, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações.

Segundo a OIM, cerca de 1.330 pessoas morreram ou desapareceram ao tentar realizar o percurso no ano passado.

Mais de 14 mil pessoas desembarcaram na Itália durante o primeiro semestre do ano, a maioria delas vinda da Líbia, de acordo com o ACNUR.

Segundo informações, quase 60% deles chegaram a Lampedusa.

Os números estão longe dos picos atingidos em 2011, quando dezenas de milhares de pessoas chegaram em poucos meses, à medida que os controles nas fronteiras marítimas se desintegraram durante as revoltas da Primavera Árabe.