Papa diz que carrega foto de menino muçulmano morto na guerra que ganhou dele próprio ao visitar o Líbano
Depois de discussões públicas com o presidente americano Donald Trump, o Papa Leão XIV voltou a falar sobre a guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã, com ataques também sofridos pelo Líbano. Voltando de viagem que fez pela África nos últimos dias, o Pontífice recebeu cerca de 70 jornalistas em seu avião. Para ilustrar o seu pedido de paz, ele lembrou de um menino libanês e muçulmano que lhe deu uma fotografia sua.
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— Eu gostaria de incentivar a continuação do diálogo pela paz, para que as partes se esforcem para promover a paz, afastar a ameaça de guerra e para que o direito internacional seja respeitado. É muito importante que os inocentes sejam protegidos, o que não aconteceu em vários lugares. Carrego comigo a foto de um menino muçulmano que, durante minha visita ao Líbano, me esperava com um cartaz que dizia "Bem-vindo, Papa Leão". Depois, nesta última fase da guerra ele foi morto. São muitas as situações humanas e creio que devemos ter a capacidade de pensar dessa forma. Como Igreja, repito, como pastor, não posso ser a favor da guerra. Incentivo a todos a se esforçarem para buscar respostas que venham de uma cultura de paz, não de ódio e divisão — respondeu Leão XIV.
O líder religioso disse ainda que vem lendo cartas de famílias do Oriente Médio que perderam seus filhos na guerra. Ele destacou que o regime dos aiatolás não será derrubado facilmente por ataques promovidos pelos americanos e israelenses.
— Muitas vezes, quando avaliamos certas situações, a resposta imediata é que é preciso intervir com a violência, com a guerra, atacando. O que vimos foi a morte de muitos inocentes. Acabei de ler a carta de algumas famílias das crianças que morreram no primeiro dia do ataque. Elas falam sobre o fato de terem perdido seus filhos, as filhas, as crianças que morreram naquele ataque. A questão não é se o regime muda, o regime não muda, a questão é como promover os valores em que acreditamos sem a morte de tantos inocentes — avaliou o Pontífice.
Ele completou comentando diretamente as negociações que acontecem na região e as prorrogações de cessar- fogo, tanto entre iranianos e americanos, como entre Israel e Líbano: — A questão do Irã é evidentemente muito complexa. As tratativas que estão fazendo, um dia o Irã diz sim e os Estados Unidos dizem não, e vice-versa, e não sabemos para onde isso vai. Foi criada essa situação caótica, crítica para a economia mundial, mas também há toda uma população no Irã de pessoas inocentes que estão sofrendo com essa guerra. Então, sobre a mudança de regime, sim ou não: não está claro que regime existe neste momento, após os primeiros dias dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã.
Perguntado sobre sua próxima viagem, o Papa Leão XIV afirmou que quer vir para a América Latina, mas não informou se visitaria o Brasil.
— Tenho um grande desejo de visitar vários países da América Latina. Até agora não está confirmado, veremos. Vamos aguardar — explicou.
