O papa Leão XIV se posicionou nesta sexta-feira (30) contra a atribuição de uma identidade jurídica ou a concessão de direitos aos agentes de inteligência artificial (IA), argumentando que os responsáveis por seus atos são seus criadores humanos. "As máquinas são ferramentas, não pessoas", disse em um discurso a especialistas da indústria reunidos no Vaticano para um diálogo sobre esta tecnologia e a responsabilidade da comunidade científica e das instituições públicas.
@@NOTICIAS_RELACIONADAS@@ "As chamadas inteligências artificiais não passam por experiências, não possuem um corpo, não sentem alegria nem dor, não amadurecem através das relações e não sabem, por dentro, o que significam o amor, o trabalho, a amizade ou a responsabilidade", afirmou.
O debate sobre os riscos da tecnologia tem se intensificado nos últimos meses, alimentado por incidentes em que os sistemas executaram ações não autorizadas ou por advertências apocalípticas de profissionais do setor. O pontífice de 71 anos tem defendido repetidamente a necessidade de garantir que a IA seja utilizada de forma ética.
Em sua primeira encíclica, "Magnifica Humanitas", publicada em maio, o chefe da Igreja Católica fez um apelo a "desarmar" a IA, a fim de "impedir que domine o ser humano". Na reunião no Vaticano, Leão XIV afirmou que o futuro da IA "não está predeterminado" e que os seres humanos têm "a responsabilidade de orientar, modificar e, quando necessário, rejeitar suas aplicações".
Segundo o pontífice, conceder direitos a estes sistemas ou até mesmo uma identidade jurídica pode "ocultar a responsabilidade humana e deixar aqueles que sofrem danos diante de uma entidade sem rosto".
Folha de Pernambuco