Pão com mel, 240 km por semana e ‘supersapatilhas’: conheça receita que levou maratonista queninano a recorde histórico em Londres
O queniano Sebastian Sawe entrou para a história do atletismo ao se tornar o primeiro homem a completar uma maratona abaixo da barreira das duas horas em uma prova oficial. O atleta cruzou a linha de chegada da Maratona de Londres, no último domingo, com o tempo impressionante de 1h59min30s, estabelecendo um novo recorde mundial e redefinindo os limites conhecidos da modalidade.
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O feito, no entanto, esteve longe de ser fruto do acaso. Por trás da marca histórica, houve uma combinação de preparação física rigorosa, tecnologia de ponta e uma estratégia nutricional meticulosamente calculada.
O pódio da Maratona de Londres 2026, da esquerda para a direita: O etíope Yomif Kejelcha, segundo lugar; o queniano Sebastian Sawe, vencedor da prova; e o ugandês Jacob Kiplimo, terceiro
JUSTIN TALLIS / AFP
Em entrevista ao The Guardian, o treinador de Sawe, Claudio Berardelli, revelou alguns dos principais fatores que contribuíram para o desempenho extraordinário do atleta. Segundo ele, o queniano chegou a Londres em condição física ainda melhor do que na Maratona de Berlim, disputada em setembro, quando já havia demonstrado ambição de bater o recorde, mas acabou prejudicado pelo calor intenso.
Nas semanas que antecederam Londres, Sawe manteve uma carga de treinos impressionante.
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“Nas últimas seis semanas, ele tem feito uma média de 200 quilómetros ou mais por semana, tendo atingido um pico de 241 quilómetros”, afirmou Berardelli.
O treinador explicou ainda que percebeu sinais claros de que algo fora do comum poderia acontecer.
“Eu sabia que ele estava em excelente forma para Berlim, mas não conseguiu expressar-se devido às condições. Mas quando comecei a vê-lo a correr da mesma forma que corria antes de Londres, pensei: ‘Ei, pode ser que aconteça algo especial.’”
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Além da preparação física, o desempenho também foi impulsionado pela evolução dos equipamentos. Sawe utilizou o modelo Adidas Pro Evo 3, considerado um dos mais avançados do mercado e o primeiro tênis de corrida com menos de 100 gramas. As chamadas “supersapatilhas”, equipadas com placa de carbono, têm sido apontadas como um divisor de águas nas provas de longa distância.
Kenya's Sabastian Sawe poses with his new world record time written on his running shoe at the finish of the 2026 London Marathon in central London on April 26, 2026. Kenya's Sabastian Sawe broke the two-hour mark for the first time in history on Sunday in winning the London Marathon. (Photo by JUSTIN TALLIS / AFP) / “Restricted to editorial use - sponsorship of content subject to LMEL agreement”.
AFP
Em entrevista à agência de notícias Lusa, de Portugal, o ex-maratonista português António Pinto — recordista nacional dos 42,195 quilômetros e tricampeão da Maratona de Londres — destacou o papel decisivo da tecnologia.
“Esta marca foi possível em Londres, com aquela elite, mas estou convencido que, estes atletas que fizeram abaixo das duas horas, numa das maratonas mais rápidas, como Chicago, Roterdão, Berlim ou Valência, ainda faziam menos um minuto ou dois. A diferença é que Londres tem os atletas que quer e que as outras não têm”, disse.
Ele detalhou ainda o impacto das sapatilhas de carbono.
“Quanto mais rápido se correr, mais impulsão dá, ou seja, se já têm um bom ritmo, ainda vão ter melhores resultados”, afirmou, prevendo que novas marcas históricas ainda serão alcançadas.
A alimentação também teve papel central no resultado. Durante a prova, Sawe consumiu géis de carboidrato para manter os níveis de energia. Antes da largada, o café da manhã foi planejado com foco no desempenho e incluiu pão com mel — combinação considerada ideal por oferecer digestão rápida e energia imediata.
“Não há dúvida de que estamos numa nova era da maratona, graças ao calçado e à alimentação adequada”, salientou Berardelli.
Ao fim da corrida, Sawe reconheceu a dimensão do momento e destacou a importância da preparação mental.
“Tive coragem para continuar a dar o meu melhor, mesmo com um ritmo tão acelerado”, disse o atleta ao The Guardian. “Não me senti incomodado porque estava preparado para isso. O público ajudou-me imenso, pois estava a torcer, a gritar o meu nome e a transmitir-me força. O recorde mundial de hoje também se deve a eles.”
Com apenas quatro maratonas disputadas até agora, Sawe ainda é visto como um atleta em evolução. Para Berardelli, o queniano sequer atingiu seu auge.
“O Sebastian ainda não atingiu o seu potencial máximo. Foi apenas a sua quarta maratona; se pensarmos nas adaptações a longo prazo, que são um processo que requer tempo, acredito que o Sebastian ainda não chegou a esse ponto.”
A prova em Londres ainda teve outros desempenhos históricos. O queniano Yomif Kejelcha terminou em segundo lugar com 1h59min41s, enquanto o ugandês Jacob Kiplimo ficou em terceiro, com 2h00min28s — consolidando a edição como uma das mais rápidas da história das maratonas.
