Países ricos devem aprovar hoje liberação recorde de reservas de emergência de petróleo
A Agência Internacional de Energia (AIE) está discutindo uma liberação de reservas emergenciais de petróleo que seria a maior de sua história, com uma decisão possivelmente sendo tomada ainda nesta quarta-feira, segundo uma fonte.
Nos EUA: Trump anuncia primeira nova refinaria do país em 50 anos em meio à disparada do petróleo
Guerra no Oriente Médio: Companhias aéreas elevam preço das passagens por causa da alta do petróleo
A AIE sugeriu uma liberação na faixa de cerca de 300 milhões a 400 milhões de barris, disse a fonte, que pediu anonimato. A agência, sediada em Paris, coordena liberações de estoques entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Os governos buscam conter um pico nos preços da energia provocado pela guerra no Oriente Médio. O petróleo disparou para quase US$ 120 por barril em Londres na segunda-feira, enquanto os fluxos através do crucial Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, permaneceram praticamente interrompidos. Desde então, porém, os contratos futuros recuaram de forma significativa — em parte devido às expectativas de que os governos recorreriam às suas reservas de petróleo.
Nesta quarta-feira, o preço do petróleo chegou a cair, mas já estão sendo negociados em alta. Por volta das 7h50, o Brent, referência internacional, era negociado a US$ 90,60 por barril, com alta de 3,19%, enquanto o tipo Texas (WTI) subia 3,59%, a US$ 86,45.
Initial plugin text
Uma reunião dos líderes do Grupo dos Sete (G-7) nesta quarta-feira discutirá a liberação dos estoques, disse separadamente o ministro das Finanças da França, Roland Lescure. Os países do G-7 afirmaram apoiar, em princípio, “medidas proativas”, incluindo a liberação de reservas estratégicas, mas ainda não forneceram detalhes sobre a escala de uma possível intervenção.
A Agência Internacional de Energia não deu comentários oficiais até a publicação da matéria.
Previsão pessimista: CEO da Aramco, maior petrolífera do mundo, faz alerta sobre 'consequências catastróficas' da guerra
A medida em consideração superaria os 182 milhões de barris que os membros da AIE colocaram no mercado em 2022 após a Rússia invadir a Ucrânia.
A AIE afirmou que seus 32 membros mantêm mais de 1,2 bilhão de barris em estoques públicos de emergência, incluindo a maior reserva de proteção, a Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos. Há ainda 600 milhões de barris adicionais em estoques da indústria mantidos sob obrigação governamental.
Cortes já afetam 6% da produção global
Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque estão entre os produtores que aprofundam os cortes no fornecimento de petróleo, reduzindo cerca de 6% da produção global, enquanto a perda do trânsito pelo Estreito de Ormuz faz com que os tanques de armazenamento da região se encham.
Impacto: Disparada do petróleo leva petroleiras a rever planos. Veja áreas onde projetos podem sair da gaveta
Os Emirados Árabes Unidos também interromperam as operações em sua maior refinaria, Ruwais Refinery, na terça-feira, como precaução após um ataque de drone na área.
Alguns operadores e analistas duvidam que os governos consumidores conseguirão recorrer aos estoques com rapidez suficiente para preencher a enorme lacuna de oferta.
Mesmo que a taxa máxima de retirada da Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA seja combinada com fluxos de outros membros da AIE, isso poderia cobrir apenas uma parte dos 11 milhões a 16 milhões de barris por dia de oferta do Golfo Pérsico que a Citigroup Inc. estima estar sendo perdida diariamente.
Gasolina, diesel e querosene de aviação: Combustíveis sobem à medida que a guerra no Irã estrangula o fornecimento
A capacidade máxima de retirada da reserva estratégica dos EUA é de 4,4 milhões de barris por dia, segundo o site do Departamento de Energia dos EUA, e leva 13 dias para que o petróleo da reserva chegue ao mercado aberto após uma decisão presidencial.
A AIE já ajudou a implementar cinco intervenções desse tipo: na preparação para a Guerra do Golfo de 1991, após os furacões Rita e Katrina em 2005, após o início da guerra civil na Líbia em 2011 e duas vezes em 2022 em resposta às interrupções relacionadas à guerra na Ucrânia.
Initial plugin text
