Após um pedido da Casa Branca, os países membros do Escudo das Américas assinaram um acordo nesta terça-feira para designar 24 facções narcotraficantes como "ameaça imediata e universalmente compartilhada no hemisfério". As facções brasileiras Comando Vermelho e PCC estão entre os grupos citados que deverão ser alvos de sanções. Os signatários afirmam que deverão acionar um mecanismo de reciprocidade da Organização dos Estados Americanos (OEA) para viabilizar a medida. Na declaração, os países afirmam que vão aplicar sanções como o congelamento de bens; restrições de imigração e vistos para membros, associados e apoiadores das organizações; e responsabilidade criminal para indivíduos que, conscientemente, forneçam apoio material, incluindo apoio logístico, às organizações, entre outras medidas. Esta primeira ação conjunta se concentrará nas 24 organizações listadas. Assinam o texto os membros do Escudo das Américas: Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) nessa terça, o presidente Donald Trump afirmou que os cartéis são o "Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental".
Para o Brasil, a repercussão se faz através da tentativa de pressionar o governo brasileiro, num contexto de reta final de campanha eleitoral. Do ponto de vista geopolítico, para o especialista em Relações Internacionais Guilherme Meireles, a ameaça pode vir a longo prazo. "O grande perigo é a longo prazo. Numa possibilidade de continuidade da política trumpista, com Marco Rubio eventualmente ganhando a eleição, existe a possibilidade de os EUA instalarem bases ao redor do Brasil, o que seria uma ameaça velada. Agora, intervenção, não vejo possibilidade até pela importância do Brasil para o sistema internacional", disse. O acordo do Escudo das Américas vem dias depois de os Estados Unidos terem declarado formalmente que o Brasil falhou em confrontar o PCC e o CV. Em resposta oficial emitida em setembro de 2026, o governo brasileiro rechaçou a acusação, negando qualquer omissão ou falha na segurança pública e afirmando que atua de forma soberana e coordenada no combate às facções criminosas. Os 24 grupos listados na Declaração Conjunta sobre a Defesa da Soberania Hemisférica: Mara Salvatrucha (MS-13) Trem de Aragua Carteles Unidos Cartel del Golfo (Cartel do Golfo) A Nova Família Michoacana Cartel do Nordeste Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG) Cartel de Sinaloa Gran Grif Viv Ansanm Los Lobos Los Choneros Bairro 18 Cartel de Los Soles Clã do Golfo Primeiro Comando da Capital Comando Vermelho Assassinos Chone Os Viagras Cartel de Juárez (La Línea) Grupos dissidentes das FARC, incluindo FARC-Estado Mayor Central, FARC-Segunda Marquetalia, ou seus nomes alternativos, afiliados e grupos sucessores. ELN Sendero Luminoso (Sendero Luminoso) Los Tiguerones
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