Painel da Convocação: goleiros Alisson e Ederson já têm o carimbo; irregular Bento tenta a última vaga
‘Ganha a Copa do Mundo quem toma menos gols, não quem faz mais”. A frase do técnico Carlo Ancelotti deixa clara sua preocupação com o sistema defensivo da seleção. E como, para o italiano, o ciclo atual teve apenas um ano, a figura do goleiro ganha importância maior. Posição consagrada por Gilmar, Félix, Taffarel, Marcos e Júlio César, entre outros, ela tem mais um candidato a herói: Alisson, que vai para seu terceiro Mundial aos 33 anos. Mas por que esse status não é sinônimo de tranquilidade?
É o que responde o primeiro capítulo do painel da convocação do GLOBO. A série de cinco capítulos vai mostrar o panorama de cada setor, começando pelos goleiros, a partir das análises de repórteres e colunistas do jornal: quais são os principais postulantes às vagas? Quem chegará à Copa como unanimidade? Quem perdeu um lugar que parecia garantido? E quem não estará, mas merecia aparecer na lista definitiva, a ser anunciada nesta segunda-feira?
Entre os goleiros, Alisson (Liverpool-ING) foi apontado como quem mais merece a vaga, por ter mantido o status de titular e passar mais confiança que seus pares. Com ele está Ederson (Fenerbahçe-TUR), outro presente na última Copa e valorizado por Ancelotti.
O principal debate no setor está, então, na terceira vaga. Bento, que ontem falhou pelo Al-Nassr-SAU, é o principal cotado para a trinca. Mas John (Nottingham Forest-ING) e Hugo Souza (Corinthians), pela ascensão recente, exibiram virtudes que justificariam o chamado. O ex-goleiro do Flamengo, porém, ainda tem altos e baixos no clube paulista, enquanto o ex-Botafogo perdeu tempo em função de uma lesão.
ESP_11-05_convocacao-goleiros
Weverton, do Grêmio, corre por fora e completa a pré-lista enviada pela CBF à Fifa, com seis goleiros. As aparentes fartura e estabilidade na posição deixam de fora nomes como Fábio, do Fluminense. Aos 45 anos, o veterano poderia ter sido considerado em virtude da experiência e da segurança, mas novamente sequer foi observado em convocações.
Garantido na lista final, Alisson não entra em campo desde 18 de março, quando sofreu uma lesão grave no músculo posterior da coxa direita. Com negociações adiantadas para trocar o Liverpool pela Juventus, da Itália, ele deve voltar a atuar nesta semana, mas inspira cuidados — a ponto de não ter a sua titularidade no Mundial garantida.
A apreensão se justifica: se perder Alisson, o Brasil acionará Ederson, de 32 anos, também com um histórico recente de problemas físicos e falhas em jogos. Em outubro de 2025, ele sofreu uma lesão na coxa durante um treino no Fenerbahçe e acabou cortado da seleção. Recuperado, porém, consolidou-se no time e ganhou o status de titular até a volta de Alisson. Ederson atuou no amistoso contra a França e sofreu dois gols.
Se os dois goleiros mais experientes geram dúvidas recentes pelas lesões, a terceira via é, ao menos dentro do trabalho atual na seleção, a única certeza no aspecto físico. Bento, de 26 anos, deve ser o escolhido para a vaga que resta na posição, já que esteve em todas as convocações desde a chegada de Ancelotti. E ainda que tenha falhado feio ontem em um jogo decisivo do Campeonato Saudita (veja reportagem abaixo), é um dos destaques do Al-Nassr na temporada.
ESPERANÇA DE JOHN E HUGO
Talvez a maior dificuldade seja encontrar argumentos para justificar a ausência dos que estão na pré-lista, mas ficarão fora do Mundial. John, por exemplo, passou por uma artroscopia no joelho esquerdo no dia 14 de janeiro e, quatro meses depois, está 100% recuperado. Ele mantém vivo o sonho da convocação, mesmo sabendo que a concorrência é de alto nível.
John, de 30 anos, chegou ao Forest em agosto de 2025 e foi convocado duas vezes, para os jogos contra Coreia do Sul e Japão, em outubro, e diante de Senegal e Tunísia, em novembro. Durante a recuperação da lesão neste ano, dedicou-se sempre em três turnos, em casa e no clube, e passou duas semanas no Brasil, trabalhando na estrutura do Botafogo.
Hugo também não jogou a toalha. Competitivo, o goleiro de 27 anos faz um trabalho com um “mental coach”. Apesar de algumas falhas no Corinthians, é uma aposta da CBF também para o próximo ciclo de Copa. No fim, o trio escolhido ficará a critério de Ancelotti e de Taffarel, preparador de goleiros desde 2018.
