Dennis Castillo, uma atleta de 17 anos, passou 28 horas com uma viga sobre a perna esquerda nos escombros de um edifício de 10 andares, em La Guaira, região mais atingida pelo terremoto de 24 de junho na Venezuela .
Depois de ser resgatada, ela teve a perna amputada, um destino compartilhado por centenas de sobreviventes dos sismos.
Quer mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no Whatsapp
Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países
O número de mortos no terremoto duplo já passa de 6.300, e há milhares de feridos, entre eles pelo menos 200 pessoas que sofreram amputações, segundo a ONG Fundación Dos Santos, dedicada à arrecadação de fundos para próteses.
Quase metade dessas vítimas são menores de idade, informa a entidade.
No dia dos terremotos, Dennis se preparava para sair para correr.
Seu pai e treinador, Deinnis Castillo, havia saído na frente.
Enquanto descia as escadas, o prédio onde moravam na cidade a 40 quilômetros de Caracas desabou.
— Quando acordo, estou preso entre os corrimãos da escada (...) E, no meio disso, eu disse: minha filha! — conta o pai.
Com uma perna deslocada, Castillo começou "a busca sem parar".
— Quebrei todos os dedos.
Tirei forças de onde não tinha e comecei a gritar.
E, no momento em que a encontrei (...) tudo o que era o membro inferior dela estava soterrado — conta, entre lágrimas, o pai de 40 anos.
Busca por desaparecidos: Venezuela ainda não sabe quantos estão desaparecidos após terremoto que matou mais de 6 mil pessoas
No hospital, explicou à filha que, devido aos danos sofridos na perna, precisava autorizar uma amputação cirúrgica ou ela correria risco de morrer.
A adolescente, que desde os 10 anos compete em esgrima, natação, tiro a laser, corrida e corrida com obstáculos, recusava-se a aceitar.
— Ela fica chorando, dando muitos gritos.
E, depois de duas horas, manda me chamar.
Com lágrimas, me diz: "Se for preciso cortar, faça, porque não quero deixar você sozinho" — relata Castillo.
Seguir em frente
O alto custo de uma prótese representa outro desafio em um país onde os salários são insuficientes devido à espiral inflacionária e à constante desvalorização da moeda.
Em dois anos: Presidente da Venezuela promete entregar dez mil casas para vítimas de terremoto
Juan Pablo Dos Santos, diretor da Fundación Dos Santos, uniu-se a instituições de saúde dentro e fora do país para lançar o Fundo Humanitário 77, que prevê arrecadar US$ 2 milhões para as pessoas afetadas pelos terremotos.
Até o momento, foram arrecadados cerca de US$ 453 mil.
O atleta venezuelano e ativista Juan Pablo Dos Santos posa para uma foto durante uma entrevista à AFP em Caracas, em 23 de julho de 2026.
Dos Santos está promovendo uma iniciativa para apoiar os sobreviventes com amputações do terremoto ocorrido em 24 de junho passado.
Maxwell Briceno / AFP
Vários pacientes abriram contas na plataforma GoFundMe para obter recursos para a compra de próteses, que podem custar entre US$ 3.500 e US$ 30 mil.
Os dispositivos mais caros, específicos para atletas, contam com sistemas hidráulicos.
Dos Santos, que perdeu as duas pernas em um acidente automobilístico em 2019, visita esses pacientes após os terremotos.
— É muito importante que eles tenham a oportunidade de conviver com pessoas que também são amputadas, para que vejam que existem outras pessoas que seguimos em frente com nossas vidas —, afirmou Dos Santos à AFP.
Terremoto na Colômbia: em corrida contra o tempo, socorristas buscam sobreviventes após abalo que deixou ao menos 240 mortos
Catástrofe: Por que o terremoto na Colômbia foi tão destrutivo apesar de ter ocorrido a 110 km de profundidade
Necessidade de próteses
A recuperação é um processo longo e individual de reabilitação e moldagem dos cotos, que inclui fisioterapia, um bom plano alimentar e apoio psicológico.
— Há pacientes que ainda estão traumatizados, que ainda não compreenderam realmente a dimensão do que lhes aconteceu —, observou à AFP Bianca Dámaso, médica especialista em órteses e próteses.
Na Venezuela, mais de 3.000 pessoas vivem com algum tipo de amputação.
— Há milhares de pessoas amputadas na Venezuela que precisam de próteses.
Esse problema existe há anos — afirmou a especialista.
Terremoto na Ásia: Indonésia tem quase 13 mil desabrigados após terremoto que deixou 53 mortos
Uma empresa venezuelana fabricará e montará equipamentos doados com peças importadas da Alemanha, Inglaterra, Japão e Estados Unidos.
Segundo Bianca Dámaso, cerca de 20 vítimas dos terremotos já têm sua doação de prótese garantida por meio do fundo, enquanto outras 10 contam com ajuda direta.
O pai de Dennis está determinado a conseguir ajuda para a filha.
— Ela quer sair para treinar com sua prótese (...) ela quer sua prótese esportiva.
