Pai e irmãos são condenados na Holanda a até 30 anos por matar jovem que não usava véu e rejeitava padrões impostos em casa

 

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Um tribunal da Holanda condenou nesta segunda-feira (5) Khaled al Najjar, de 53 anos, a 30 anos de prisão pelo assassinato da própria filha, Ryan, de 18 anos, em um crime classificado pela Promotoria como “crime de honra”. Foragido desde maio de 2024, o pai foi julgado à revelia. Os dois filhos dele, Mohamed, de 23 anos, e Muhanad, de 25, também foram considerados culpados e sentenciados a 20 anos de prisão cada um.

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Ryan foi dada como desaparecida em 22 de maio de 2024 e teve o corpo encontrado seis dias depois por um pedestre em um pântano da reserva natural de Oostvaardersplassen, em Lelystad, cerca de 40 quilômetros a nordeste de Amsterdã. A jovem estava amordaçada, com mãos e tornozelos amarrados, submersa na água. Exames periciais identificaram DNA de Khaled sob as unhas da vítima, indicando que ela tentou se defender.

Julgamento e participação dos irmãos

Segundo o resumo oficial da sentença, Khaled amarrou a filha, a estrangulou e abandonou o corpo no local isolado. O tribunal concluiu que os irmãos tiveram participação relevante no crime ao buscarem Ryan em Rotterdam e levá-la até a reserva natural, cientes do que aconteceria. Embora não tenha sido possível determinar o papel específico de cada um, a juíza afirmou que isso era “irrelevante para a atribuição de culpa”.

De acordo com a imprensa local, Muhanad foi o único a comparecer à audiência, vestindo um moletom com capuz, e declarou após a leitura da sentença que pretendia “limpar seu nome”. Mohamed optou por permanecer na prisão. O advogado de Muhanad, John Muhren, informou que irá recorrer, alegando ausência de provas diretas contra seu cliente, tese rejeitada pelos promotores.

Ryan al Najjar foi assassinada em maio de 2024 por seu pai e dois irmãos

Divulgação/Polícia holandesa

Motivações e contexto do crime

De acordo com a acusação, o assassinato foi motivado pelo fato de Ryan ter desafiado regras rígidas impostas pela família. Ela se relacionava com rapazes, usava redes sociais, recusava-se a usar véu e teria “humilhado” os parentes, segundo mensagens analisadas pela investigação. Um vídeo publicado no TikTok, no qual aparecia sem lenço e usando maquiagem, é apontado como o estopim do crime.

Promotores classificaram o caso como feminicídio e reforçaram que crimes de honra são “completamente inaceitáveis”. Investigadores relataram que a jovem vivia sob um padrão de intimidação e controle dentro de casa.

Após o crime, Khaled fugiu para a Síria, onde permanece escondido. Durante a investigação, ele enviou dois e-mails ao jornal holandês De Telegraaf assumindo a autoria e tentando inocentar os filhos, versão rejeitada pela Promotoria. Os irmãos foram presos poucas horas após a localização do corpo e seguem sob custódia.

Dados apresentados no tribunal indicam que ao menos cinco mulheres por ano na Holanda necessitam de proteção policial reforçada devido a riscos de crimes de honra.