Pai durão em '100 dias', Felipe Camargo sofreu com família ao largar cargo público para ser ator

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Fonte da notícia: Extra Extra

Em cartaz nos cinemas com o filme '100 dias', Felipe Camargo interpreta Jamil Klink, pai e carrasco da vontade ousada de Amyr Klink (Filipe Bragança) de cruzar o Oceano Atlântico sozinho a remo. No longa inspirado na viagem real do navegante brasileiro, o protagonista vai da Namíbia, na África, até a Bahia, sem encorajamento paterno.

O genitor critica a todo momento a sua empreitada. Já na vida real, foi Camargo quem sofreu com falta de apoio da família quando decidiu ir atrás do sonho de ser ator, há mais de 40 anos.

A travessia até ‘100 dias’: Filipe Bragança detalha preparação intensa para viver navegante '100 dias': Amyr Klink revela por que decidiu cruzar o Oceano Atlântico a remo

— A escolha da minha profissão, sem dúvida, foi alvo de críticas. Eu tinha um emprego seguro, com 15 salários por ano, quando eu resolvi largar para ser ator.

Só que fiz isso sem consultar a minha família porque eu sabia que eles não apoiariam. Eu cheguei em casa e falei: "Olha, eu larguei o meu trabalho e eu vou ser ator".

Eu ouvi de tudo quando eu contei e ganhei nenhuma força a princípio — conta Felipe. O artista, que hoje tem 66 anos, cursava Economia e trabalhava desde os 18 anos na Eletrobras Furnas, que, nos anos 70, ainda era uma empresa pública.

Depois de cerca de um ano fazendo teatro amador, Felipe abandonou a faculdade e o trabalho para se dedicar integralmente à carreira artística. Felipe Camargo ao lado de sua mãe na juventude

Reprodução/Instagram A aposta arriscada deu certo, de forma que, aos 26 anos, em 1980, o ator já dava vida a Marcos, o protagonista de "Anos dourados", um dos maiores sucessos de todos os tempos da TV Globo.

Dali em diante, a lista de trabalhos notáveis de Felipe na atuação ficou extensa, de forma que a família começou a compreender a sua escolha pelas artes cênicas. — Depois, quando viram que eu estava tão empenhado e determinado, não tinham mais o que falar.

E aí também começaram a gostar de me ver fazendo o que eu estava gostando de fazer. Quem te ama quer te ver feliz e realizado — diz Camargo.

Pai durão em '100 dias' Amyr ( Filipe Bragança) e Jamil Klink (Felipe Camargo) têm discussões frequentes ao longo de '100 dias'

Fabio Braga/Pivô Audiovisual/Divulgação Já em '100 dias', os papéis se invertem: o personagem de Felipe é quem tenta impedir a realização do sonho do filho.

Mas, assim como na história real do ator, Amyr consegue dobrar o pai e mostrar que tinha plena capacidade de concluir a sua travessia transatlântica com sucesso. O intérprete de Jamil acredita que o chefe da família travava o filho numa tentativa de cuidado que embolava temores e paixões.

— Tinha um espírito de aventura muito grande na família. O Jamil, o pai, ele sai do Líbano, vai para a Europa, e vem para o Brasil.

E os filhos, principalmente o Amyr, pegam isso dele. É um amor e um medo coexistentes pela aventura — afirma o artista.

Enquanto o patriarca se opõe à odisseia marítima, a mãe, Asa Frieberg Klink (Philippine Leroy-Beaulieu), assume o papel de oferecer afago e impulso à viagem do marinheiro e às suas aspirações. Ele também conta com o apoio de seu irmão, Tymur (João Vitor Silva), que é o responsável por passar as coordenadas náuticas para Amyr via rádio.

Asa Frieberg Klink (Philippine Leroy-Beaulieu), a mãe de Amyr (Filipe Bragança) e seu irmão Tymur (João Vitor Silva) oferecem apoio à sua travessia Fabio Braga/Pivô Audiovisual/Divulgação

— A história da Asa é de uma sueca que vem para o Brasil e fica aqui porque namora o Jamil. Ela muda de vida com muita coragem.

Ela casa com um cara duro, mas com a certeza de que entre eles tinha muito amor. E, ao mesmo tempo, ela sabia que tinha que tirar o filho dessa mistura de medo com amor para ele não ser sufocado pelo pai — diz Philippine.

Apesar da trama familiar estar no centro do filme, os conflitos entre parentes não estão presentes no livro "Cem dias entre céu e mar" (Companhia das Letras, 1985), obra autobiográfica de Amyr, em que o navegante descreve sua viagem pelo Atlântico Sul. A aventura aconteceu em 1984 e rendeu para Klink o reconhecimento do “Guinness book”, o livro dos recordes, como a primeira pessoa a atravessar o Atlântico a remo.

O marinheiro, que hoje tem 71 anos, completou a travessia aos 28. Para a obra nas telonas, ele deu liberdade para o diretor Carlos Saldanha explorar a relação do marinheiro com sua família.

Publicação Original Extra extra.globo.com
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