Pai de Henry Borel chora, chama réus de ‘monstros’ e pergunta: ‘O que aconteceu com meu filho naquele apartamento?’
Com a voz embargada e choro, o engenheiro e vereador Leniel Borel, pai de Henry Borel, falou com a imprensa por dez minutos, antes de entrar no Tribunal de Justiça do Rio na manhã desta segunda-feira. Com uma foto dele e do filho estampando a camisa que usava por baixo do paletó, o pai de Henry foi recebido por Sônia Fátima Moura, mãe de Elisa Samudio, que se diz “solidária a todas as vítimas de violência”. Leniel afirma que quer saber o que aconteceu no apartamento de Monique Medeiros (mãe de Henry) e Dr Jairinho (padrasto da criança) na madrugada de 8 de março de 2021, quando o menino morreu.
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Caso Henry Borel: julgamento dos acusados pela morte do menino começa nesta segunda-feira
— A condenação é o mínimo para aqueles dois monstros — afirmou Leniel. — Esse júri precisa me responder: três pessoas entraram vivas naquele apartamento, dois adultos e uma criança. Horas depois saem dois adultos (vivos) e uma criança morta. O que aconteceu com meu filho naquele apartamento?
Leniel ainda fez uma comparação: de que até uma galinha tenta defender os pintinhos diante de uma águia. Por isso, segundo ele, mesmo se a ex-companheira tivesse tomado um anestésico, ela teria um “sexto sentido” para proteger o filho naquele dia.
— Espero que, após esse julgamento, eu consiga viver o meu luto e que o meu filho consiga descansar em paz — completou Leniel, que fez um apelo para que a babá Thayná Oliveira, que não teria sido encontrada pela Justiça, fale no júri, já que fazia parte da rotina no apartamento.
Assistente de acusação, o advogado Cristiano Medina da Rocha, sustenta que as provas são “irrefutáveis” e que Jairinho “torturou de forma cruel” o enteado, que tinha 4 anos. O advogado pontua ainda que o crime só aconteceu por Monique “ter abdicado do dever sagrado de proteger o seu filho para ter uma vida de luxo” ao lado do então vereador Dr Jairinho, que teve o mandato cassado em 2021. Medina afirma que confia que Jairinho e Monique sairão condenados do Tribunal do Júri.
— Estamos vendo, nos últimos dias, manobras da defesa de Jairo no sentido de tentar adiar este julgamento. Está muito claro para toda a sociedade que são manobras protelatórias, que Jairo e sua defesa estão com medo deste julgamento — afirma Medina.
Pedido de adiamento
A defesa de Jairinho, por sua vez, defende que o cliente é inocente e pede o adiamento do julgamento por não ter tido acesso total ao conteúdo do notebook de Leniel Borel, conforme autorizado na última semana.
— (Jairinho) Está ótimo. Ele é inocente e está triste. Cinco anos no cárcere, quem ficaria feliz? Mas está confiante, acreditamos no povo do Rio de Janeiro, nos jurados, mas não há como adentrarmos naquele plenário e, de forma decidiosa e temerária, tocarmos essa liturgia — disse o advogado Zanone Júnior, que defende Jairinho, sustentando que o cliente e Monique são inocentes.
Os advogados que defendem o ex-vereador também pedem a mudança de comarca para julgamento do caso, alegando uma ”campanha midiática” no Rio. A assistência de acusação rebate, afirmando que o julgamento teria de ser feito “fora do planeta Terra” para que “a sociedade não clame por justiça”. Cristiano Medina afirma ainda que, caso o adiamento ocorra, a assistência de acusação pedirá aplicação de multa à defesa de Jairinho e, em caso de novo abandono do júri, que a Defensoria Publica assuma o caso. A defesa de Monique, que falou com a imprensa mais cedo, sustenta que o “verdadeiro responsável” pelo homicídio é Jairinho.
Na porta do Tribunal de Justiça, cerca de 15 pessoas fizeram uma manifestação com gritos por “Justiça” antes do julgamento. Na calçada, foram estendidos cartazes no chão. Também há pessoas vestindo camisas com fotos de Henry.
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