A candidata à Câmara dos Deputados Paola Daniel (PRD), ex-mulher do ex-deputado federal Daniel Silveira, pediu medida protetiva contra o ex-marido, a quem acusa de ameaça, lesão corporal, violência psicológica e difamação. No pedido, feito na segunda-feira, na 106ª DP, em Petrópolis, ela também afirma que Daniel “pagava pessoas” para persegui-la. Silveira foi preso em 2021 após ameaçar ministros do STF em apoio ao então presidente Jair Bolsonaro. Segundo Paola, as agressões começaram em 2022, quando os dois ainda eram casados e ele estava preso. Hoje, Silveira cumpre pena em liberdade condicional. Paola afirma que o ex-marido não estaria aceitando sua candidatura. Ao GLOBO, Paola afirmou que o ex-marido teria pago pessoas para persegui-la e instalar um rastreador em seu carro, por suspeitar que estivesse sendo traído. Segundo ela, descobriu a suposta perseguição após começar a receber mensagens de amigas perguntando se ela estava em determinados locais, já que, de acordo com o relato, Daniel, mesmo preso, enviava mensagens a essas pessoas demonstrando saber onde ela estava. — Ele contratou até detetive. Onde eu ia ele sabia, até que o mecanico do carro achou um rastreador instalado — disse Paola.
Procurada, a defesa de Daniel Silveira negou as acusações. Paola pediu que Silveira seja proibido de se aproximar dela, de seus familiares e testemunhas, além de manter contato por qualquer meio de comunicação. Ela também quer que ele seja impedido de frequentar seu comitê eleitoral, em Itaipava. — Sei que muitos de vocês gostam do Daniel, mas vocês não o conhecem como homem, conhecem como político. Ele é uma pessoa horrorosa. Diante disso tudo eu tive que vir aqui. Estou tocando minha campanha tranquila, não toco no nome dele, não falo nada. E mesmo assim ele vem querer me atacar com violência psicológica, violência de tudo que é tipo que vocês não imaginam. Mas a verdade virá à tona — afirmou ela, em um vídeo publicado nas suas redes. Ameaças começaram por cíumes Eles foram casados por 10 anos e se separaram há um ano e meio. Hoje, Daniel Silveiro já inclusive vive um outro casamento. Mas, segundo Paola, ele nunca aceitou o término e começou as ameaças em 2022, enquanto ele estava preso e perseguia ela e amigas, com acusações de traição. No registro, Paola conta que sofreu um tapa no ouvido de Silveira em 2022 , pouco antes de sua segunda prisão, que lhe derrubou no chão e lhe deixou um mês com a audição comprometida. Ela não procurou atendimento médico porque tinha medo da repercussão e do comportamento de Silveira, de acordo com o RO. Nessas ameaças, ele dizia que ela "não era ninguém" e que "se não ficasse com ele, não ficaria com mais ninguém". As ameaças e violência psicológica se intensificaram por causa dos ciúmes de Silveira, que dizia estar sendo traído. Ela denunciou que, no final de 2023, ainda na prisão, Silveira teria contratado pessoas para lhe perseguir e colocar um rastreador no seu carro. Ela descobriu o rastreador, com microfone, em uma oficina. Paola diz que o ex-marido ligava e enviava mensagens mesmo dentro da prisão, cobrando informações sobre um suposto amante. "Acho melhor você pensar direito", teria ameaçado Silveira, em uma dessas mensagens. Paola disse que tentava terminar o relacionamento, mas ele disse que cometeria suicídio, como forma de pressão psicológica. Quando ele saiu da prisão, em 2024, eles terminaram. Em seguida, Paola narra que Silveira chegou a ir na casa de seus pais e de sua irmã, como forma de pressão. Uma testemunha de Paola também foi à delegacia comprovar as ameaças e relatou que recebia ligações e mensagens de Silveira cobrando informações. Por vezes, ela enviava fotos a ele para provar que estavam na faculdade, e não em alguma festa. Além disso, Paola incluiu os prints no registro. Difamação por motivos eleitorais Agora com a campanha eleitoral, Paola diz que está sofrendo difamação, com ofensas nas redes sociais e jornais. Mesmo proibido de usar rede social, Paola diz que o ex-deputado estaria usando Instagram através de supostas páginas de fãs . No RO, ela também conta que ele teria ameaçado o presidente do PRD, dizendo que, caso ele mantivesse a candidatura dela, ganharia "um inimigo ferrenho". O registro também destaca que a atual esposa de Silveira estaria tentando obter registro para porte de arma, já que ele não pode por conta de sua pena. A campanha difamatória estaria acontecendo na página "Daniel Silveira Sem Perparatus". Uma publicação nesta segunda (14), com o título "Ela o traiu e o abandonou no presídio", afirma que Paola estaria "comemorando em festa, dançando e bebendo" no dia em que ele voltou à prisão, no dia 24 de dezembro de 2024. A publicação pede para eleitores não votarem nela, pois Paola teria humilhado Daniel Silveira. Procurada, Paola disse que a página é administrada pelo próprio Daniel Silveira. Ela diz que essas publicações a motivaram a procurar a polícia. — O que me motivou a denunciar agora foi a postagem no perfil, que ele diz que é de apoio a ele, mas sei muito bem que é ele que posta. Ele está vendo que minha campanha está crescendo, e está inventando mil coisas, inclusive criminosas. Até então eu estava quieta na minha. Sempre quis meter minha vida privada. Mas ele expôs uma situação mentirosa — explicou Paola, que disse ter mais duas testemunhas para fortalecer o registro, enquanto aguarda a definição sobre a medida protetiva. Paola disse que também tem mais áudios para registrar, e mostrou o conteúdo de um enviado por ele a amigas dela enquanto tentava reatar o relacionamento, diz Paola, em que ele confessa ter a traído. — Ele fica todo dia em frente ao meu comitê, querendo me intimidar. Temos vídeos com isso. Ele fica sempre querendo intimidar — complementou. Procurada, a defesa de Daniel Silveira disse que as acusações não condizem com a realidade e destacou que o relacionamento acabou há um ano e meio, e que ele não pode ser responsabilizado por "publicações de terceiros". Confira a nota: "A Defesa considera extremamente grave a formulação de acusações sem provas e ressalta que eventual imputação consciente e falsa da prática de crime às autoridades competentes poderá, uma vez presentes os requisitos legais, ensejar a apuração das responsabilidades cabíveis, inclusive sob a perspectiva do delito de denunciação caluniosa, previsto no art. 339 do Código Penal. Registra-se, ainda, que o Sr. Daniel não possui ou administra redes sociais, não podendo ser automaticamente responsabilizado por publicações realizadas por terceiros, inclusive em páginas, perfis ou contas criados por apoiadores, admiradores ou quaisquer outras pessoas que utilizem seu nome ou façam referência à sua pessoa, sem que exista prova concreta de sua participação, autorização ou ingerência sobre o conteúdo publicado. Por fim, a Defesa deixa expressamente consignado que acompanhará atentamente a divulgação de informações relacionadas ao caso e, diante da publicação de conteúdo falso, ofensivo ou que atribua indevidamente ao Sr. Daniel fatos ou condutas sem respaldo probatório, adotará todas as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis para a preservação de seus direitos, de sua honra e de sua imagem. A Defesa reafirma que acusações dessa gravidade devem ser tratadas com responsabilidade, observância aos fatos e respeito ao devido processo legal, não sendo admissível transformar conjecturas ou manifestações de terceiros em imputações pessoais desprovidas de prova". Quem é Daniel Silveira Daniel Silveira é ex-policial militar e ex-deputado federal, eleito em 2018 pelo então PSL. Na época, ele ficou conhecido por ter participado do ato em Petrópolis em que rasgou uma placa em homenagem a Marielle Franco, ao lado do deputado Rodrigo Amorim e do ex-governador Wilson Witzel. Em 2021, Silveira foi preso após publicar um vídeo com ameaças e ofensas a ministros do STF e defesa de medidas de ruptura institucional. Em 2022, foi condenado a oito anos e nove meses de prisão pelos crimes de coação no curso do processo e incitação à abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Logo em seguida, o então presidente Jair Bolsonaro concedeu-lhe indulto presicendial, que lhe tiraria da prisão, mas essa medida foi anulada pelo STF. Silveira perdeu o mandato e, após cumprir períodos em diferentes regimes, atualmente cumpre a pena em regime aberto.
O Globo