Paes diz que crime organizado "sentou no Palácio Guanabara" e ataca alianças de rival

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Fonte da notícia: Valor Valor

O candidato do PSD ao governo do Rio, Eduardo Paes, criticou nesta sexta-feira a atuação do crime organizado no Estado e acusou a gestão do ex-governador Cláudio Castro de ter permitido a infiltração de facções criminosas nas instâncias de poder fluminenses. "O crime organizado sentou no Palácio Guanabara", disse Paes, ex-prefeito do Rio, durante sabatina realizada pelos jornais Valor, O Globo e Extra e pela rádio CBN. Como exemplo de degradação institucional, Paes relembrou o caso de Rafael Picciani, ex-secretário de Esporte e Lazer do governo de Castro, tornado réu ao lado do ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como "TH Joias", sob a acusação de vazar informações sigilosas sobre operações policiais para favorecer o Comando Vermelho. Ao longo da entrevista, o postulante do PSD buscou reforçar repetidamente o elo entre seu principal adversário, Douglas Ruas (PL), e o grupo político de Castro. Ruas comandou a Secretaria de Cidades na gestão anterior — administração que se tornou alvo de investigações em escândalos como os casos Master e Refit. Paes também associou Ruas a Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), investigado como suposto braço político da facção e, atualmente, preso por acusações de ligação com a mesma organização criminosa. Cabral Questionado sobre uma possível semelhança entre as ligações do adversário e sua antiga aliança com o ex-governador Sérgio Cabral, que acumula condenações por corrupção e lavagem de dinheiro, Paes buscou marcar diferenças. "Fiz aliança com o Sérgio Cabral no segundo turno [em 2008, para Prefeitura do Rio]. Fui secretário dele por um ano, fui candidato a prefeito e venci as eleições com o apoio dele. Mas não era uma candidatura ungida para dar apoio a ele", justificou o candidato do PSD, que comandou a prefeitura durante quatro mandatos. Paes lembrou ainda que o grupo responsável por montar a candidatura de Ruas atua junto desde 2018, quando elegeu Wilson Witzel, então no PSC. Em seguida, ressaltou a própria autonomia. "Eu não era empregado do Sérgio Cabral como prefeito do Rio de Janeiro. Passei alguns anos respondendo por essa relação. Fui investigado, virado de cabeça para baixo." Confrontado sobre polêmicas envolvendo figuras de seu próprio entorno político, Paes respondeu sobre a nomeação de seu ex-secretário Chiquinho Brazão, preso sob a acusação de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco. Segundo o ex-prefeito, a indicação de Brazão partiu do Republicanos em razão de um acordo partidário para apoio às eleições de 2024. Neste sentido, destacou que não havia nada que desabonasse sua conduta inicialmente e que o exonerou assim que surgiram as primeiras suspeitas e investigações oficiais. O candidato também comentou o envolvimento da deputada estadual Lucinha (PSD), integrante de sua base aliada e acusada de ligação com a milícia na zona oeste. Paes frisou que o PSD barrou a candidatura da parlamentar nas eleições deste ano. Observou, contudo, que ela ainda não possui condenação definitiva e declarou esperar que a deputada consiga provar sua inocência na Justiça. Eleição presidencial Nacionalizando o embate eleitoral, o ex-prefeito direcionou críticas ao clã Bolsonaro por apoiar sucessivas escolhas políticas no Estado, destacando que a família chancelou tanto Witzel em 2018 quanto Castro em 2022, ambos alvos de processos criminais. "No mínimo, Bolsonaro tem um dedo podre para o Rio de Janeiro", declarou. Por outro lado, Paes reafirmou categoricamente seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reforçou a relevância da aliança com o governo federal para seus projetos à frente do Executivo estadual. O candidato negou qualquer tentativa de esconder a parceria para atrair o eleitorado conservador. "Quem não sabe que meu candidato é o Lula? Eu tenho muita gratidão pelo presidente." Ele aproveitou para estabelecer um contraponto com Douglas Ruas, afirmando que não utiliza o alinhamento com Lula como "muleta" eleitoral, em crítica à estratégia da campanha do PL de se colar estritamente à imagem de Jair Bolsonaro. "O Douglas Ruas precisa de uma muleta e está usando o Bolsonaro. Meu candidato a presidente do Brasil chama-se Lula, mas não é Lula quem vai governar o Estado do Rio", declarou. Saída da prefeitura O candidato também justificou não ter completado o quarto mandado na Prefeitura do Rio. Segundo ele, mudança de opinião — ele havia afirmado na campanha de 2022 que cumpriria o mandato de prefeito até o fim — e a saída para disputar a eleição ao Palácio Guanabara foram fruto da situação do Estado do Rio. "Ninguém pensa em disputar eleição para não cumprir o mandato." Segurança pública No campo da segurança pública, principal tema do debate eleitoral fluminense, Paes defendeu o fim das indicações políticas nas corporações e a reformulação da pasta com a unificação das Secretarias de Polícia Militar e Polícia Civil sob uma única Secretaria de Segurança Pública. O candidato avalia ainda colocar a Secretaria de Administração Penitenciária sob o guarda-chuva desse comando unificado. Além disso, criticou a baixa taxa de presos trabalhando (2,6% no Rio contra 30% nacional) e a presença de tecnologias como Starlink e celulares em presídios de segurança máxima.

Ao detalhar suas propostas, voltou a direcionar críticas à gestão de Castro, acusando o ex-governador de usar a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas — decisão do Supremo Tribunal Federal que impôs limites a operações policiais em comunidades para reduzir a letalidade — como "desculpa para a inação" e para justificar o avanço do crime organizado. Como exemplo, Paes citou o Complexo de Israel, alegando que a área não se enquadra na definição de favela e não estaria sujeita às restrições da ADPF, sendo usada indevidamente como pretexto para a falta de atuação estatal. O ex-prefeito contestou também operações letais e pontuais que não resultam na ocupação sustentável dos territórios e usou como mau exemplo a operação policial realizada nos Complexos do Alemão e da Penha, que deixou 122 mortos e se tornou a mais letal da história do Estado. "Aquela ação foi uma operação e no dia seguinte estava tudo como dantes no quartel de Abrantes, nada mudou. Portanto, toda forma de ocupação tem que se pensar no dia seguinte", afirmo, defendendo um plano de ocupação inteligente com foco na permanência do Estado. Como promessa de campanha, o candidato do PSD declarou que, caso eleito, iniciará a retomada dos territórios dominados pelo crime pelo Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo — berço e reduto eleitoral de seu adversário, Douglas Ruas. A escolha do local, segundo Paes, se deve à sua posição estratégica e à estimativa de que entre 40% e 50% do município esteja sob o domínio de facções criminosas. Paes é o quarto entrevistado da série de sabatinas com os postulantes ao Palácio Guanabara. A série começou na terça-feira, com o deputado estadual Douglas Ruas. Na quarta, foi a vez de William Siri (Psol). O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) foi sabatinado ontem.

Na última pesquisa Quaest, divulgada na terça-feira, Paes aparece na liderança, com 39% das intenções de voto. Ruas é o segundo, com 18%. Garotinho tem 8% das preferências, enquanto Cyro Garcia (PSTU) e Siri registraram 2% e 1%, respectivamente. Os indecisos somam 16%. Outros 14% afirmaram que votam em branco, nulo ou não pretendem votar.

As entrevistas são realizadas no estúdio da redação do O Globo e conduzidas pelos apresentadores da CBN Rio Bianca Santos e Leandro Resende, pelo editor de política dos jornais O GLOBO e Extra, Thiago Prado, pelo colunista Bernardo Mello Franco e por Francisco Góes, chefe da sucursal do Valor no Rio.

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