Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo do Rio de Janeiro, acusou os rivais Anthony Garotinho (Republicanos) e Douglas Ruas (PL) de fazerem um “jogo ensaiado” para impedir que o segundo turno aconteça na eleição para governador. A declaração ocorreu após Garotinho desistir do recurso que apresentava ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o indeferimento de sua candidatura.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Paes afirmou que sua campanha já havia denunciado Garotinho como um suposto “candidato laranja” e disse que a desistência do recurso, feita após a votação de domingo (4), representa uma tentativa de interferência no processo eleitoral. "Hoje, um dia após a eleição, o país recebe a notícia que o próprio Garotinho decidiu se declarar inelegível ao TSE, para os votos dele serem anulados e o Douglas Ruas ser declarado vencedor. Ou seja, impedir que o segundo turno aconteça. Uma clara interferência no processo eleitoral", disse Paes.
Garotinho recebeu 274.411 votos, o equivalente a 3,17% dos votos. Como sua candidatura foi indeferida e ele desistiu do recurso no TSE, esses votos podem ser retirados da totalização. Nesse cenário, Douglas Ruas, que terminou a apuração à frente de Paes, ultrapassa 50% dos votos válidos e pode ser declarado governador eleito ainda no primeiro turno. O pedido de desistência, no entanto, precisa ser analisado pela Justiça Eleitoral. A simples apresentação do pedido não equivale, por si só, à homologação judicial.
No vídeo, Paes afirmou que sua campanha havia questionado desde o início a candidatura de Garotinho e disse que o objetivo do ex-governador seria provocar instabilidade na eleição. "A minha campanha desde o começo denunciou que o Garotinho era um candidato laranja. A gente foi para a Justiça, disse que ele não podia ir pra urna por causa dos crimes e condenações e que o único objetivo dele seria tumultuar a eleição, mas a Justiça deixou ele livre, inclusive para ir aos debates", afirmou Paes.
Na sequência, o candidato do PSD relacionou a desistência do recurso ao possível encerramento da disputa ainda no primeiro turno. Paes afirmou ainda que, na avaliação dele, a manobra retiraria dos eleitores a possibilidade de decidir a disputa em uma segunda votação.
Valor